Moçambique vai formar 2.650 jovens em cursos técnico-profissionais de pesca e aquacultura, com entrega de kits para início de atividade, para promover o autoemprego e criar pequenos negócios nas comunidades rurais, foi hoje anunciado.
A diretora-geral adjunta do Instituto de Desenvolvimento da Pesca e Aquacultura (IDEPA), Elvira Xerinda Cháuque, disse à Lusa que a iniciativa pretende responder à falta de oportunidades de emprego entre os jovens, através de formação profissional orientada para o autoemprego e criação de pequenos negócios.
Os beneficiários foram selecionados nos 38 distritos abrangidos pelo Projeto de Desenvolvimento da Aquacultura de Pequena Escala (Prodape) e pelo Projeto de Desenvolvimento da Pesca Artesanal Resiliente (ProPeixe), que procuram reforçar as atividades económicas ligadas à pesca e à aquacultura.
“Vamos formar e vamos dar um ‘kit’ para o início da atividade”, disse Elvira Xerinda Cháuque, à margem do lançamento da iniciativa, hoje, em Maputo.
Explicou que os cursos abrangem diferentes áreas da cadeia de valor, incluindo aquacultura, refrigeração, eletricidade, processamento e agro-processamento, para responder às necessidades de conservação, transformação e comercialização dos produtos, acrescentando que a formação deve proporcionar competências práticas que permitam aos jovens criar os próprios negócios e, posteriormente, gerar oportunidades de trabalho para outras pessoas.
A formação arranca na segunda-feira com um primeiro grupo de 150 jovens no Instituto de Ciências do Mar e Pescas, em Maputo, seguindo-se novas turmas em centros de formação nas províncias de Gaza e Nampula e noutras instituições de formação profissional. A implementação será faseada até alcançar os 2.650 beneficiários.
A meta para este ano é formar 650 jovens, estando prevista a continuidade do programa a partir de janeiro de 2027, até abranger os restantes participantes. No final da formação, os beneficiários receberão kits para iniciarem atividades económicas nas áreas em que forem capacitados.
O programa é implementado pelo Governo moçambicano, através do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, com o apoio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), e pretende promover o empreendedorismo juvenil e reforçar a participação dos jovens na economia rural.
Na cerimónia de lançamento realizada hoje, o secretário de Estado do Mar e Pescas, Momade Juízo, defendeu que a formação técnico-profissional deve estar ligada a oportunidades concretas de emprego e empreendedorismo, apelando ao setor privado para apoiar a integração dos jovens através de estágios, primeiro emprego e outras oportunidades profissionais.
“O Governo não pode dar emprego a todos, mas tem a obrigação de dar empregabilidade a todos”, afirmou Momade Juízo, acrescentando que metade dos 2.650 beneficiários previstos são mulheres.
A representante do FIDA em Moçambique, Jaana Keitaanranta, considerou que os jovens devem participar em todas as fases dos projetos, desde a planificação até à implementação e avaliação, defendendo que a formação seja acompanhada por acesso a financiamento, tecnologias, serviços de apoio empresarial e mercados.
A responsável destacou o potencial da pesca e da aquacultura para a segurança alimentar, a criação de emprego e a geração de rendimentos nas comunidades, alertando que a exploração destas oportunidades exige competências técnicas, práticas sustentáveis e capacidade para enfrentar os efeitos das alterações climáticas.















































