O Governo da Nigéria proibiu temporariamente a exportação de nozes de carité, numa tentativa de impulsionar a indústria de transformação local e converter o país, responsável por 40% da produção mundial, num fornecedor global.
A proibição, imediata, vai estar em vigor por seis meses e depois será revista, declarou o vice-Presidente Kashim Shettima afirmando que “a proibição transformará a Nigéria de um exportador de nozes de carité num fornecedor global”.
Esta decisão não é “uma política anticomercial, mas sim uma política pró-valor”, destinada a garantir matérias-primas para as fábricas nigerianas e o aumento dos rendimentos e postos de trabalho dos trabalhadores rurais.
O Governo nigeriano, com esta medida em vigor, espera a curto prazo aumentar a receita do setor para 300 milhões de dólares (257 milhões de euros) e três mil milhões de dólares (2,58 mil milhões de euros) até 2027.
O ministro da Agricultura, Abubakar kyari, anunciou que o país produz cerca de 350.000 toneladas de nozes de carité por ano, das quais cerca de um quarto é perdida no comércio transfronteiriço informal e não regulamentado.
A manteiga de carité – produto extraído da noz – é amplamente utilizada em produtos de beleza, bem como no fabrico de chocolate e alguns medicamentos.
Segundo Kashim Shettima, a Nigéria é um dos maiores produtores de nozes de carité, responsável por 40% da produção mundial, mas contabiliza apenas 1% da quota de mercado global, avaliado em 6,5 mil milhões de dólares (5,6 mil milhões de euros).
A medida foi tomada semanas depois do estado do Níger, no norte da Nigéria, inaugurar uma fábrica de processamento de manteiga de carité que as autoridades descreveram como uma das maiores da África.
Diversos especialistas argumentaram que tais esforços devem vir acompanhados de mais investimentos para o crescimento das indústrias nacionais.
“A proibição parece sugerir que o Governo identificou um problema de falta de oferta, mas uma proibição de exportação pouco contribui para garantir a produção interna atual exclusivamente para os processadores nigerianos”, disse o sócio da SBM Intelligence, uma empresa de consultoria de risco, Ikemesit Effiong.
A medida parece contradizer a política comercial de longa data do Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, que posicionou o país como uma economia de mercado livre ao remover vários subsídios a produtos essenciais, como combustível e eletricidade. Tinubu também conseguiu fazer com que o preço da moeda do país variasse e reverteu a proibição da importação de dezenas de produtos pelo Governo anterior.
A Nigéria segue uma lista crescente de outros países da África Ocidental, incluindo Burkina Faso, Mali, Togo, Costa do Marfim e Gana, que proibiram ou restringiram a exportação de culturas nos últimos dois anos.