24H Agricultura Syngenta: uma competição formativa que não se esquece

24H Agricultura Syngenta: uma competição formativa que não se esquece

Há um antes e um depois das 24H AGRICULTURA SYNGENTA. Quem participa não esquece e muitos são os estudantes que voltam ano após ano. A 4ª edição desta competição formativa decorreu na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve e na Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, a 6 e 7 de Abril. Participaram alunos de 13 instituições de ensino portuguesas e espanholas. Contamos como tudo aconteceu.

«As equipas mostraram grande espírito de camaradagem e todos os estudantes aprenderam novos conceitos sobre Agricultura Circular e de aplicação da política dos 3R- Reduzir, Reutilizar, Reciclar. As 24H Agricultura Syngenta são para a APH uma forma de contato com as novas gerações de profissionais do setor agrícola, demonstrando a vitalidade da nossa Associação e a sua determinação em perpetuar a missão de partilha de conhecimento técnico-científico», afirma José Alberto Pereira, presidente da Associação Portuguesa de Horticultura, a entidade que organiza este evento em parceria com a IAAS Portugal- Associação Internacional de Estudantes de Agricultura e Ciências Relacionadas, a SFORI, empresa de formação experiencial e um conjunto de empresas patrocinadoras ativamente envolvidas na preparação, acompanhamento e avaliação das provas.

A competição teve início às 8h de sábado com uma atividade “Quebra-Gelo – Networking Challenge”, na qual os concorrentes foram desafiados a estabelecer o primeiro contato com as equipas adversárias. Seguiu-se uma apresentação de enquadramento sobre Agricultura Circular, realizada por Maria de Belém Costa Freitas, docente da FCT-UAlg, que serviu de mote à redação de um artigo sobre o “Contributo do agricultor para a agricultura circular”. Grande parte da manhã foi dividida entre três provas práticas: enxertia de plantas de citrinos, sob orientação da APH/ FCT-UAlg, plantação de alface e couve brócolo e instalação de sistema de rega (manga e fita), com medição da pressão da água e identificação de peças, prova sob orientação da Magos Irrigation Systems.

Paralelamente foram distribuídas provas teóricas para resolução ao longo do dia. A Hubel Agrícola levou os estudantes a programar a rega numa estufa de framboesas através da sua App FulgurIt, a partir da qual controla online o clima, a fertirrega e outros equipamentos instalados na estufa. A Syngenta questionou os concorrentes sobre os produtos homologados para o controlo do míldio em citrinos e controlo da traça-do-limoeiro, de acordo com as normas da Produção Integrada e do Modo de Produção Biológico e levou-os a calcular a quantidade de produto a utilizar para um volume de calda e área de pomar determinados.

A parte da tarde decorreu no Patacão, na sede da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, com um carrossel de provas práticas variadas, que serviram de base à elaboração de um Plano de Exploração de citrinos em PRODI – Produção Integrada e batata em MPB – Modo de Produção Biológico, bem como ao preenchimento dos respetivos Cadernos Campos. O cenário foi um pomar de citrinos onde os concorrentes experimentaram tratores da John Deere, pulverizadores Rocha e equipamentos Caliset fornecidos pela Syngenta. Os desafios foram múltiplos: calibrar pulverizadores, calcular o débito de calda por bico, calcular o volume da calda e determinar a velocidade de avanço do trator ajustada à pulverização pretendida. Ainda no pomar identificaram infestantes, pragas e doenças, mediram a densidade dos Adubos Blue Diamond, comercializados pela Hubel Verde e regularam distribuidores de adubo.

Também descobriram como as telas de solo da marca Cotesi podem influenciar positivamente o ecossistema do pomar, conservando a humidade do solo, diminuindo a dotação de rega exigida e evitando o aparecimento de infestantes, o que reduz a necessidade de aplicação de herbicidas. Para tal, realizaram medições de humidade de solo em linhas de laranjeiras com tela versus sem tela, observaram as diferenças do pomar nas duas modalidades e responderam a questões sobre as intervenções de campo evitadas com o uso das telas. Numa parcela cultivada com batata os estudantes calcularam as doses e aplicar do produto Tecniferti Mol, fertilizante da linha Tecniferti Bio, e foram desafiados a elaborar um plano de fertilização com fertilizantes desta marca.

A Galucho apresentou o triturador GSAP 180, uma alfaia que ajuda a manter o pomar “limpo”, pois trata-se de um modelo especialmente concebido para o corte de erva, restos de poda e ramagens até 10cm de diâmetro, e questionou os alunos sobre o seu manuseamento. Ainda no Patacão, os estudantes tiveram de identificar espécies arbustivas e árvores típicas das sub-regiões do Algarve (Serra, Barrocal e Litoral) e foram questionados sobre tratamentos adequados para controlar o escaravelho da palmeira, uma praga que tem vindo a dizimar grande parte da população de palmeiras em Portugal.

De regresso ao campus da FCT-UAlg deu-se início à terceira fase da competição, em que as equipas formaram consórcios de 3 equipas, os quais foram desafiados a criar um novo negócio, resultante da junção das propriedades e projetos idealizados individualmente. O plano de negócio incluiu as componentes técnica, comercial, financeira e de marketing e teve como requisito a aplicação dos princípios da Agricultura Circular. Esta foi uma das provas mais desafiantes da competição, testando a criatividade e sobretudo a capacidade de trabalho em grupo. A apresentação oral dos projetos, em formato de “pitch”, decorreu perante um júri alargado quase ao raiar do dia.

Entretanto, ao longo da noite e início da madrugada sucederam-se novos desafios. A Lipor apresentou uma prova sobre o processo de compostagem caseira e industrial e pediu aos concorrentes que identificassem os parâmetros que influenciam este processo, dando a conhecer a importância do seu composto Nutrimais na Agricultura Circular. A John Deere expôs uma gama de máquinas para trabalho em relvados e questionou os alunos sobre o funcionamento destes equipamentos. A Syngenta apresentou pulverizadores de dorso e levou os alunos a experimentar e identificar o tipo de bico de cada pulverizador e, em concreto, os bicos anti-deriva que melhoram a eficácia da pulverização e reduzem o impacto dos produtos no solo e nos lençóis freáticos. A boa gestão de resíduos de restos de caldas também foi abordada por esta empresa com uma prova teórica sobre o sistema Heliosec e, por fim, os alunos tiveram que identificar as possíveis zonas para instalar margens multifuncionais numa parcela agrícola, compostas por várias espécies de plantas que, aquando da floração, contribuem para fixar os insetos polinizadores nos campos agrícolas, aumentando a qualidade e produção das culturas.

A madrugada foi agitada por um peddy paper realizado no campus da FCT-UAlg, por uma divertida prova de Pictionary gestual alusivo à Agricultura Circular, e ainda por provas de análise sensorial a mel, determinação do teor de sólidos solúveis (°B) e da cor do sumo de citrinos, identificação das Ordens de insetos e dos vários tipos de enxertia realizados em árvores de fruto. A competição terminou às 8h de domingo e todos regressámos a casa cansados, mas com um agradável sentimento de missão cumprida.

A 5ª edição das 24H AGRICULTURA SYNGENTA já está programada para Abril de 2020 na Escola Superior Agrária de Santarém.

Aqui ficam os testemunhos da organização e dos patrocinadores sobre o balanço das 24H AGRICULTURA SYNGENTA:

«O feedback de todas as equipas foi positivo, as provas muito interessantes, a dinâmica foi boa e levou os concorrentes a cooperar entre si, desenvolvendo capacidades de relacionamento interpessoal e de gestão de tempo, e a realizar tarefas agrícolas que vão encontrar no dia-a-dia como futuros profissionais do setor», Manuel Ferreira, membro da Direção da IAAS Portugal- Associação Internacional de Estudantes de Agricultura e Ciências Relacionadas

«Um balanço deveras positivo, vimos alunos de todo o país e de Espanha a competir feroz e saudavelmente, em equipa e em consórcio de equipas, em provas teóricas e práticas. Fiquei deveras impressionado com esta dinâmica muito interessante», Carlos Guerrero, vice-presidente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade do Algarve

«Foi mais uma edição muito interessante onde pudemos constatar que os estudantes vibram com as provas da Syngenta, que são muito práticas e ensinam os princípios do uso sustentável dos produtos fitofarmacêuticos. É algo que raramente têm possibilidade de fazer durante o percurso académico. Subscrevo as palavras do Diretor Regional de Agricultura do Algarve que lembrou os concorrentes da sua importância enquanto profissionais agrícolas que asseguram a alimentação de todos nós», Felisbela Torres de Campos, Regulatory & Corporate Affairs Lead for Portugal da Syngenta

«O balanço das 24H Agricultura foi muito positivo tal como já nos têm habituado as edições anteriores. Ultrapassadas algumas dificuldade logísticas iniciais, contando como habitualmente com o enorme profissionalismo e disponibilidade de todos os elementos da organização, faltava somente controlar a vontade do S. Pedro que finalmente acedeu em enviar o sol e dessa forma proporcionar um agradável convívio e troca de experiências com os futuros profissionais do setor agrícola. Esta competição tem como objetivo por à prova as capacidades e conhecimentos dos futuros profissionais do setor, colocando-os em contacto com algumas dificuldades e realidades que encontrarão durante o seu percurso de vida, para os Pulverizadores Rocha esta colaboração direta efetuada através de provas práticas de campo é importante e tem como principal objetivo dar a conhecer e permitir o contacto direto em trabalho com equipamentos modernos, alfaias desenvolvidas com objetivos muito concretos e direcionados ao tipo de cultura, neste caso os pomares de citrinos», Zeferino Sousa, supervisor de vendas da Pulverizadores Rocha

«A Magos Irrigation Systems agradece à organização toda a colaboração e empenho demonstrado durante a iniciativa. Estão de parabéns pois correu tudo muito bem e juntar cerca de 150 alunos universitários no mesmo espaço é uma tarefa difícil. Esperamos que de alguma forma tenhamos colaborado para a melhoria do conhecimento e para uma consciente opção futura dos alunos nas suas escolhas e caminhos a seguir», Jorge Caleça, responsável de marketing da Magos Irrigation Systems

«Antes de mais dar os parabéns à organização e dizer que as 24H Agricultura Syngenta são um evento de extrema importância porque coloca os futuros profissionais em contacto com novas tecnologias e tendências agrícolas e com empresas do setor, contextualizando os estudantes no mercado de trabalho. A Agricultura Circular, tema desta 4ª edição, esteve particularmente alinhado com a atividade da Lipor, que desde 2005 promove a separação na origem dos resíduos orgânicos provenientes de domicílios, restauração, mercados, hipermercados, cooperativas agrícolas, entre outros, na região do Grande Porto. Estes resíduos são usados matérias-primas na produção do corretivo agrícola Nutrimais, voltando a entrar no ciclo produtivo. Este é um dos melhores exemplos de circularidade na agricultura», Filipa Teixeira, responsável comercial Nutrimais/Lipor

«Superou as nossas expectativas porque o evento misturou todos os temas certos – a Ciência, a Agricultura, a Educação e o Ambiente – foi extremamente interessante acompanhar os alunos nas provas, deram-nos um feedback muito positivo. Estou muito satisfeito com a nossa participação e todo o ambiente do evento», António Martins, responsável comercial Cotesi

«A Economia Circular foi o ponto que nos tocou bastante, é uma área da Agricultura que nos interessa e para a qual queremos apresentar soluções, porque hoje em dia os recursos são cada vez mais escassos. Para a Galucho foi importante participar», Nuno Pascoal, departamento técnico da Galucho

«O balanço para a Tecniferti é positivo pelo dinamismo da iniciativa e pelo contacto com estes jovens que serão uma parte do futuro da agricultura portuguesa», João Lourenço, adjunto da administração da Tecniferti

«Pela parte da Hubel quero agradecer a oportunidade e o empenho de todos, fundamentalmente organizadores e alunos. Esta é uma competição que implica de todos os responsáveis uma enorme dedicação, mas que prova pelo sucesso que foi, e tem sido, que é um evento a repetir», Isabel Gonçalves, fundadora do Grupo Hubel

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