Vinho Verde. “Valorizar as uvas ao agricultor é essencial”

Vinho Verde. “Valorizar as uvas ao agricultor é essencial”

Apoios à destilação e à armazenagem de crise devem ser postos em prática “o quanto antes”, diz o presidente da Comissão dos Vinhos Verdes

O presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) considera que é “essencial” que se valorizem as uvas ao agricultor, na próxima vindima, defendendo, por isso, que sejam postas em prática, “o quanto antes”, as medidas de apoio ao sector anunciadas pela ministra da Agricultura, designadamente apoios para destilação e armazenagem de crise.

Manuel Pinheiro, que falava ao Dinheiro Vivo à margem da apresentação dos vencedores do concurso ‘Os Melhores Verdes’ 2020, admite que os 10 milhões anunciados pela ministra são insuficientes e precisam de ser reforçados, mas, “seja como for, o fundo deve ser posto em prática o quanto antes”.

“Valorizar as uvas é essencial, para que [o viticultor] possa investir e garantir o futuro da região, e, para isso, nesta vindima, o nosso objetivo é que se mantenha o preço da última campanha. Naturalmente, se for uma campanha muito generosa isso vai ser mais difícil e, por isso, estamos a trabalhar na frente comercial e estamos a trabalhar junto do Ministério as regras de aplicação do fundo de 10 milhões anunciado”, explica. Em causa estão preços médios ligeiramente acima dos 40 cêntimos por quilo de uva na generalidade das castas, mais que, no Alvarinho, ultrapassa 1 euro por quilo. “Claramente, é objetivo da região manter esses valores”, diz Manuel Pinheiro.

E embora a vindima esteja, ainda, longe, e se desconheça, para já, se será farta ou não, o presidente da CVRVV garante que os apoios à destilação de crise fazem sentido como “medida preventiva” e devem, por isso, acontecer “antes da vindima”. “Mesmo que os vinhos de maior valor não se apresentem à destilação, ela vai retirar do mercado vinhos de menor valor o que vai permitir melhorar o valor médio e, assim, chegaremos à vindima com algum conforto e não com um excedente”, defende.

Sobre a situação no mercado, em resultado da covid-19, o presidente da CVRVV admite que o mês de abril foi “muito difícil para toda a região, particularmente para os produtores mais pequenos que dependiam sobretudo dos restaurantes e das garrafeiras”. Em maio, e com a Europa a desconfinar, estão a regressar as encomendas e o mercado nacional também está a recuperar. “Para nós é importantíssimo que os restaurantes retomem o seu funcionamento normal, porque são um parceiro essencial na venda de vinhos”, salienta.

Para ajudar os produtores a recuperar, a comissão lançou uma grande campanha de promoção do Vinho Verde no mercado nacional, e que será complementada com ações em garrafeiras e supermercados. “Claramente este foi um ano de desilusão, pelas enormes dificuldades que o confinamento gerou, mas é, também, um ano de grande energia e nós vamos à luta e daqui até ao fim do ano estaremos todos os dias a trabalhar para recuperar o mercado que nos escapou”, sublinha.

Nos mercados externos, e que representam cerca de 52% das vendas de Vinho Verde, as perdas são, também, significativas. “Praticamente só não baixamos vendas em mercados como a Suécia, a Noruega, o Japão, mas que têm pouca expressão. O sonho do vinho português de chegar em 2020 aos mil milhões de euros de exportações não se vai concretizar, mas a nossa obrigação é trabalharmos para que se concretize quanto antes”, frisa.

E os vinhos premiados no concurso ‘Os Melhores Verdes’ 2020, referentes à última vindima e que “estão agora a chegar às prateleiras”, são “mais um dos argumentos” da região para reconquistar mercado. Na edição deste ano estiveram 243 vinhos em prova e o grande vencedor foi o Quinta de Gomariz Colheita Selecionada Avesso 2019 foi o vencedor do concurso ‘Os Melhores Verdes’ 2020, que ganhou a Grande Medalha de Ouro.

Promovido anualmente pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), o concurso conta, habitualmente, com um júri internacional, que tem a seu cargo selecionar os cinco ‘Best Of’, vistos como os embaixadores da marca Vinho Verde nos mercados internacionais. Este ano, e atendendo à situação particular da pandemia de covid-19, não houve jurados internacionais, nem Best Of. E, por isso, foi criado a Grande Medalha de Ouro, que premeia o vinho mais pontuado de todo.

O vinho vencedor, o Quinta de Gomariz Colheita Selecionada Avesso 2019, é de um produtor da sub-Região do Vale do Ave situado em Santo Tirso, entre o Porto e Braga, e a enologia tem a assinatura de António Sousa. O escanção Tomás Gonçalves, que o apresentou, descreveu-o como “um vinho expressivo e muito atrativo”, que obteve já vários prémios internacionais.

Os resultados do concurso ‘Os Melhores Verdes’ 2020 foram divulgados hoje num encontro presencial com a comunicação social na sede da CVRVV, no Porto, seguido de um almoço ao ar livre, que devido à covid-19, substituiu o tradicional jantar de gala.

“Entre 243 amostras em prova cega, o júri destacou ainda 13 vinhos na categoria ouro, 14 na categoria prata e 149 na categoria honra, num total de 177 vinhos selecionados ” por um júri de nove elementos, informou a CVRVV.

Os vinhos premiados com ouro são o Abcdarium Superior e Casal da Torre de Vilar Escolha, nos brancos, Abcdarium Escolha (rosés), Dom Diogo Colheita Seleccionada (vinhão), Pluma Reserva e Quinta de Alderiz (alvarinho), Abcdarium (arinto), Quinta de Gomariz Colheita Seleccionada (avessso), Opção Loureiro (loureiro) e Quinta da Levada (azal) Todos eles são de 2019, salvo o Pluma Reserva, que é de 2017, distinguido na categoria “colheitas iguais ou superiores a três anos”.

A Adega da Ponte de Barca aguardente vínica velha XO (com idade igual ou superior a cinco anos), o Valados de Melgaço Reserva Extra Bruto Alvarinho 2017 e o Abcdarium alvarinho 2019 triunfaram nas categorias aguardente, espumante e Regional Minho, respetivamente.

Manuel Pinheiro destacou, ainda, o crescimento dos vinhos a concurso no segmento “colheitas iguais ou superiores a três anos”, o que, a seu ver, confirma “o enorme potencial de guarda dos vinhos verdes, que tem sido uma aposta estratégica da CVRVV” na valorização deste produto e desta marca.

O artigo foi publicado originalmente em Dinheiro Vivo.

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