O Sindicato Independente dos Trabalhadores da Floresta, Ambiente e Proteção Civil (SinFAP) apelam ao Governo que retome com urgência o processo de revisão da carreira que foi interrompido com a queda do anterior executivo.
Em comunicado, o SinFAP lembra que já passaram 26 anos desde a última revisão da carreira dos vigilantes da natureza, salientando que estes profissionais não podem esperar mais.
“É urgente a revisão de carreira para que possam ter condições justas e dignas para desempenhar as funções especializadas e importantíssimas que detêm, para que todos nós em comunidade possamos ter um futuro melhor e possamos desfrutar de uma natureza verdadeiramente preservada e protegida”, é referido na nota.
O Sindicato recorda que no rescaldo dos incêndios que afetaram Portugal continental, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, visitou algumas áreas assegurando que quer fazer a renaturalização das zonas afetadas, analisar o modelo de gestão das áreas protegidas e dispor de “mais técnicos no terreno”.
“Se de facto é vontade do Ministério do Ambiente e Energia reforçar a proximidade no terreno, é convicção do SinFAP que os Vigilantes da Natureza terão de fazer obrigatoriamente parte desse processo e exigimos um reforço significativo do Corpo Nacional de Vigilantes da Natureza”, destacou ainda o Sindicato.
Em 19 de agosto o SinFAP exigiu que, de forma excecional, que o trabalho extraordinário destes profissionais seja pago a 100%, sem prejuízo do limite mensal estabelecido.
“No atual teatro de operações, milhares de profissionais têm estado empenhados, de forma ininterrupta, no combate e apoio às populações”, sublinha o SinFAP, defendendo que estes profissionais “têm demonstrado uma dedicação exemplar” no combate aos incêndios.
Segundo o sindicato, em causa estão assistentes operacionais, assistentes técnicos, assistentes técnicos superiores dos serviços municipais de proteção civil, bem como os “operacionais das diferentes forças envolvidas no combate” aos incêndios, “assim como aqueles que operam as telecomunicações de emergência e asseguram ações de fiscalização e segurança”.
Segundo o sindicato, este reconhecimento seria “justo” e “um sinal inequívoco de valorização a quem, diariamente, se encontra na linha da frente, garantindo a segurança e proteção da população”.
Portugal continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro, num contexto de temperaturas elevadas que motivou a declaração da situação de alerta desde 02 de agosto.
Os fogos provocaram quatro mortos e vários feridos, na maioria sem gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.