Vendas online salvam Alvarinho

Vendas online salvam Alvarinho

As plataformas digitais foram uma das saídas para a comercialização de vinho pelos produtores da sub-região Monção-Melgaço, que após um início de março promissor viram as vendas cair abruptamente com a pandemia.

Perderam a Páscoa, um dos momentos altos da faturação anual, e todos os eventos e feiras de promoção calendarizados até ao final do ano. Com os canais de mercado tradicionais praticamente fechados, à exceção de alguma exportação, alguns apostaram nas vendas online para contornar a crise.

“Tivemos de nos reinventar para fomentar as vendas e partimos para o online. Estamos a entregar em todo o país sem custos acima dos 50 euros. Aumentamos e estamos com oito a 10 entregas diárias. Tivemos um incremento nas vendas de 30% a 35%”, revelou João Pereira, da Quinta das Pereirinhas, uma das que ontem foram visitadas na sub-região de Monção e Melgaço pelo presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Manuel Pinheiro, para aferir os efeitos da pandemia.

INTERNET NÃO COMPENSA QUEDA

A Adega Cooperativa Regional de Monção estreou durante o confinamento as vendas online. “Criamos a nossa loja, há pouco mais de um mês, e vende. Perdemos 2000 lojas [físicas] e não é o online que as compensa, mas vende para particulares e já para fora de Portugal, para cliente que procuram os vinhos mais caros”, disse o presidente. Ainda assim, Armando Fontainhas prevê uma quebra em maio de 40%.

Pedro Soares, administrador da QM, considerou que “a venda online minimiza a quebra, mas não terá um efeito milagreiro”. Indicou “o enoturismo” como outra forma de segurar o negócio do vinho este ano e garantiu que a adega “está a fazer todos os esforços para manter o preço da uva do ano transato (1,02 euros/quilo)”. “Devemos encarar os próximos desafios com otimismo e reinventar-nos”, aconselha.

Manuel Pinheiro surpreendeu-se com o emergir do mercado online no território e manifestou “esperança” numa retoma “em força”, tendo em conta que o desconfinamento “coincide” com o início da época forte para os vinhos verdes.

“As encomendas já começaram a melhorar este mês. Monção e Melgaço, como têm vinhos de maior valorização e forte presença, por exemplo, no Norte da Europa, em países como Suécia e Noruega, onde a economia não parou tanto, ainda conseguiram manter alguma atividade. Estou convencido que é possível recuperar até ao final do ano”, declarou o presidente da CVRVV.

Campanha nacional

A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes lançou uma campanha dirigida ao mercado nacional, tendo reservado 300 mil euros para os próximos três meses. O presidente da Comissão notou que “o impacto da covid-19 foi significativo e na restauração foi devastador”.

Mais atingidos

Os produtores mais pequenos foram mais atingidos” pela crise, devido à sua “menor estrutura financeira”, destacou.

Números

10 milhões de euros é o apoio do Instituto da Vinha e do Vinho para “destilação de crise” e armazenagem.

2085 viticultores, 67 engarrafadores e 253 marcas numa sub-região que produz 10,2 milhões de litros por ano.

O artigo foi publicado originalmente em Jornal de Notícias.

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