Um amendoal pode fazer mal à saúde e ao ambiente? A Quercus diz que este sim

Um amendoal pode fazer mal à saúde e ao ambiente? A Quercus diz que este sim

O projeto de instalação de novo amendoal superintensivo na biorregião de Idanha-a-Nova, em pleno Geoparque Naturtejo e nas proximidades do Parque Natural do Tejo Internacional, ameaça a saúde pública e o ambiente, denunciou hoje a Quercus.

“A Quercus exige que o Governo não autorize a instalação de mais um amendoal [em Idanha-a-Nova] e apela a todos os cidadãos e empresas para participarem e contestarem esta nova área no âmbito do processo de avaliação de impacte ambiental que se encontra em consulta publica”, refere, em comunicado, aquela associação ambientalista.

Em causa está um projeto para a instalação de mais de 300 hectares de amendoal superintensivo na propriedade de Vale Serrano, em Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, à qual se pretende somar uma área com mais de 2.000 hectares, iniciativa que tem em consulta pública, até ao dia 20 de abril, a Avaliação de Impacte Ambiental.

Os ambientalistas explicam que o projeto em consulta pública prevê gastar 100 mil euros por ano em pesticidas e tratamentos agrotóxicos, e adiantam que só em glifosato está previsto a aplicação de mais de 600 quilos por ano.

“Os pesticidas e fertilizantes utilizados poderão ser lixiviados e arrastados para estes rios e para os aquíferos subterrâneos, aquífero este que apresenta uma vulnerabilidade padrão média a alta à contaminação e uma vulnerabilidade média a alta aos pesticidas. Estes impactes estão identificados no EIA e poderão ter um impacto muito maior e cumulativo com outras áreas adjacentes. O próprio projeto prevê uma área total no futuro de 2.000 hectares na região”, sustentam.

Adiantam ainda que a região de Idanha-a-Nova tem atraído, nos últimos anos, empresas e cidadãos nacionais e estrangeiros que procuram um modelo de desenvolvimento sustentável baseado nos recursos endógenos desta região raiana, que tem um património natural e cultural singular, apostando na agricultura e pecuária biológica, na permacultura, no turismo, na organização de eventos e outras atividades sustentáveis.

“A instalação de grandes áreas com estas monoculturas intensivas vem por em causa este modelo de desenvolvimento mais sustentável e os cidadãos e empresas que procuravam esta região classificada e nela fizeram uma aposta de vida e investimentos nesta região”, sublinham.

A Quercus realça que a área de projeto, pela sua grande dimensão, apresenta uma sensibilidade relativamente alta e interfere inevitavelmente com o equilíbrio dos ecossistemas naturais presentes.

“São vários os problemas ambientais que têm vindo a ser relatados devido à instalação destas monoculturas superintensivas e que tem a ver com a contaminação do ar, dos solos e da água, diminuição de biodiversidade e degradação dos solos, entre outros, sobretudo derivados às práticas utilizadas e aos produtos agrotóxicos usados regularmente nos tratamentos”, concluem.

O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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