O projeto TomAC comprovou que a Agricultura de Conservação e Regenerativa pode aumentar a produtividade e melhorar a sustentabilidade na cultura do tomate para indústria.
De acordo com o comunicado de imprensa, ensaios realizados na Lezíria de Vila Franca de Xira entre 2021/2022 e 2023/2024 evidenciam benefícios agronómicos, ambientais e económicos, mas especialistas alertam para desafios na adoção, defendendo incentivos e adaptações políticas.
O estudo comparou três sistemas de produção:
– Convencional: monocultura com mobilização intensa do solo e solo descoberto no inverno;
– TomCober: mobilização apenas na linha de plantação e cultura de cobertura no inverno;
– Rotação: mobilização na linha, cobertura no inverno e rotação bienal com girassol ou milho.
A cobertura de inverno reduz o teor de humidade do solo, antecipando a plantação do tomate, e aumenta a biomassa entre 3,1 e 17,5 vezes em relação à vegetação espontânea, retendo entre 91 e 127 kg N/ha, contra 5 a 35 kg N/ha no sistema convencional. A rotação de culturas revelou-se crucial para produtividade, com aumento do peso de frutos de +34 t/ha (2021/2022) e +13 t/ha (2023/2024) face ao sistema convencional.
Apesar de menor crescimento inicial dos tomateiros em modalidades com mobilização limitada do solo, o ciclo final e a qualidade dos frutos foram equivalentes. Os custos de produção foram mais elevados nos sistemas de Agricultura de Conservação (+456,35 €/ha em 2021/2022 e +987,65 €/ha em 2023/2024), devido a cobertura do solo, mobilização na linha e controlo de infestantes, mas observou-se tendência para maior receita e melhoria da margem bruta.
A adoção enfrenta obstáculos, incluindo burocracia, baixos incentivos e incompatibilidade com contratos de arrendamento anuais. No evento de encerramento do projeto, Luís Souto Barreiros, presidente do IFAP, salientou que a saúde do solo e a redução de carbono serão prioridades na futura PAC pós-2027
Já Gabriela Cruz, presidente da APOSOLO, apontou que “a agricultura de conservação em tomate para indústria não é fácil, mas o projeto TomAC permitiu adquirir e partilhar conhecimento sobre oportunidades e desafios”.
Produtores destacaram a importância da rotação e da persistência na aplicação de cobertura do solo. Marco Nunes, da Hortofrutícola de Campelos, sublinhou que os benefícios da cobertura do solo só se tornam visíveis ao fim de alguns anos. Gottlieb Basch, investigador do MED-UÉvora, acrescentou que é necessário investir na literacia do solo e na valorização económica dos serviços de ecossistema derivados da agricultura de conservação.
A indústria também participou ativamente. Pedro Pinho, da Sogepoc, destacou a cooperação entre academia, produtores e fornecedores, enquanto Ana Casimiro, do Ag-Innov, anunciou a continuação do projeto numa versão 2.0 e a disponibilização de um manual de boas práticas para agricultores.
Já Andrea Canzano, da Syngenta, reforçou que a rentabilidade dos agricultores é central para atingir metas de descarbonização e que a empresa está a estudar a combinação de fitofármacos, bioestimulantes, sementes e serviços digitais para apoiar a transição regenerativa.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.















































