Produtores de pequenos ruminantes pedem apoio à Ministra da Agricultura

Produtores de pequenos ruminantes pedem apoio à Ministra da Agricultura

Dada a situação que estamos a viver devido à COVID-19 enviou-se a referida carta à Exª Srª Ministra da Agricultura, expondo a situação dramática que estamos a viver no sector dos pequenos ruminantes.

Carta à Excelentíssima Srª Ministra da Agricultura,

Assunto: Apoio aos produtores Agro-pecuários do Norte do Distrito de Leiria

Na qualidade de Presidente da Direcção da CASAN – Cooperativa Agro-pecuária do Sudoeste Beirão, CRL, venho alertar Sua Ex.ª para o grave problema que afecta os produtores da nossa região e que urge resolver devido à situação dramática em que encontram.

A CASAN – Cooperativa Agro-pecuária do Sudoeste Beirão, CRL situada em Ansião e abrangendo a área social dos cinco concelhos do norte do distrito de Leiria – Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra e Pedrógão Grande- é uma entidade que tem por objectivo base a promoção e protecção das actividades agro-pecuárias na região, servindo de suporte e apoio a todos os produtores associados. Engloba ainda a Organização de Produtores Pecuários OPP-CASAN responsável pela sanidade animal nesses mesmos concelhos.

Presentemente possui cerca de 1500 explorações pecuárias e cerca de 13 000 animais, maioritariamente pequenos ruminantes.

Inclui na sua área a zona de produção de Queijo do Rabaçal, um dos poucos queijos DOP do nosso país, feito exclusivamente de leite de cabra e ovelha. É um queijo único, favorecido pelas condições de produção que, geralmente, são feitas em regime de pastoreio espontâneo, o que lhe confere as reconhecidas características e qualidade únicas tendo em conta as características particulares da nossa flora.

A produção de leite, o borrego e o cabrito são da maior importância para o desenvolvimento socioeconómico da nossa área social, nomeadamente suportada, em parte, pela produção do queijo DOP Rabaçal.

Devido à situação que o país vive, verificou-se uma diminuição drástica na procura de leite bem como, e em simultâneo, uma acentuada redução no preço.

Temos produtores cujo fornecimento para as queijarias foi reduzido a mais de metade e o preço com reduções de 30% ou mais. Os animais continuam a produzir as quantidades normais por dia, o que obriga ao produtor a ponderar o desperdício do leite pois, a sua capacidade de armazenamento é praticamente inexistente.

Vítimas da falta de escoamento do leite, vêm-se forçados a uma secagem antecipada das cabras e ovelhas leiteiras o que obriga a uma total reformulação da produção, alterando profundamente o ciclo produtivo das explorações e obrigando os animais a um stress metabólico extra. Igualmente o ciclo produtivo destas explorações obriga a um planeamento sério e antecipado, de forma a garantir uma grande eficiência produtiva, nomeadamente no que toca a alimentação e reprodução, e perante as indefinições do futuro os nossos produtores têm as explorações quase paradas e vêm-se incapazes de se prepararem para o futuro e tentarem recuperar – se for possível – desta situação.

Para além disto, as explorações que haviam orientado todo o seu ciclo produtivo de borregos e cabritos para esta altura, em que o consumo tradicionalmente é mais elevado, de forma a garantirem um maior retorno económico, veem-se agora incapazes de os comercializar devido ao estado de pandemia que estamos a viver.

A cada dia que passa os nossos produtores têm os seus borregos e cabritos nas explorações, a crescerem e a consumirem mais alimentação.

De realçar, que ao contrario de outras actividades económicas, a exploração pecuária, mais concretamente a produção de pequenos ruminantes implica a manutenção de seres vivos que necessitam de alimento e mão-de-obra diária.

Tenho recebido diariamente contactos por parte de produtores que vivem situações de desespero por não conseguirem escoar os produtos e consequentemente não conseguirem garantir a sustentabilidade das suas explorações, o bem-estar dos seus animais e em alguns casos o sustento da própria família.

Perante o acima exposto, apelo a V/ Ex.ª, que pondere accionar urgentemente um plano de ajudas directas, sólidas e consistentes, capazes de ajudar estes produtores, de forma a garantir a sua sobrevivência e a manutenção destas explorações que, no futuro, que são da maior importância para o nosso desenvolvimento socioeconómico bem como para a manutenção do nosso espaço agro-florestal.

Certo de que V.ª Exa. será sensível a esta situação e que, por isso, irá agir na defesa destes produtores e destas explorações que são um património em termos estruturais da maior importância para a nossa região, subscrevo-me de V.ª Ex.ª com a mais elevada consideração e estima.

O Presidente da Direcção

Carlos Miguel Freire

Comente este artigo
Anterior Tempo de ação, não de retórica - José Martino
Próximo Coronavírus e a “epidemia” do comércio online - Pedro Pimentel

Artigos relacionados

Últimas

Suspensão de atividades formativas na sequência da publicação do Decreto 3-c/2021, de 22 de janeiro

A publicação do Decreto n.º 3-C/2021 altera a regulamentação  do estado de emergência, determinando no artigo Artigo 31.º -C, a suspensão  das atividades formativas desenvolvidas no regime presencial realizadas por entidades formadoras […]

Nacional

Fruit Attraction. Vitacress embarca em “voo directo” de Odemira até Madrid

A Vitacress – empresa de capital cem por cento nacional, propriedade do Grupo RAR – leva, até quinta-feira, a frescura dos seus produtos nacionais à […]

Últimas

Maiores produtores africanos de cacau ameaçam suspender produção

As principais organizações de produtores de cacau da Costa do Marfim, o maior produtor mundial, ameaçaram hoje boicotar as multinacionais de chocolate que se recusam a pagar uma taxa especial […]