Produtoras de vinho apostam no Regia Douro Park e concretizam investimento de 6ME

Produtoras de vinho apostam no Regia Douro Park e concretizam investimento de 6ME

Empresas produtoras de vinho estão a instalar armazéns no Regia Douro Park, concretizando um investimento global de seis milhões de euros que as aproxima da rede de autoestradas e colmata restrições de construção no Património Mundial.

O Parque de Ciência e Tecnologia de Vila Real – Douro Regia Park – foi inaugurado há cinco anos (maio de 2016), acolhe 85 empresas, tem cerca de 500 trabalhadores e representa um volume de negócios que ronda os 40 milhões de euros anuais.

Nuno Augusto, responsável pelo Regia e vereador do pelouro do desenvolvimento económico e emprego na Câmara de Vila Real, disse à agência Lusa que, entre as empresas ali instaladas, “uma parte significativa está relacionada com o setor do vinho”.

“Com armazém a trabalhar estão três, mais seis em fase de projeção e construção”, concretizou, referindo que o investimento destas empresas no parque ronda “os seis milhões de euros”.

Nuno Augusto explicou que se trata de um “parque industrial dentro da Região Demarcada do Douro” e referiu que, dentro deste território classificado pela UNESCO em 2001, “não é fácil construir pavilhões industriais”, além de que, acrescentou, “há locais onde se faz vinho onde não chega um camião cisterna”.

Naquele parque as empresas encontram terrenos infraestruturados e ficam próximas na rede de autoestradas, seja a A4, com ligação ao Porto via Túnel do Marão, ou a A24, que liga a Espanha, através de Chaves.

A Wine & Soul é uma das empresas que construiu armazém no Regia Douro Park. É na adega, localizada em Vale de Mendiz, no concelho de Alijó e em pleno Douro Património Mundial da Humanidade, que os vinhos são produzidos, estagiam e são engarrafados.

O responsável, Jorge Serôdio Borges, explicou que, perante a necessidade de um “espaço maior” para o estágio em garrafas, rotulagem e preparação das encomendas, a produtora optou por se instalar no Regia.

Esta decisão, explicou, assentou no facto de se tratar “de uma zona industrial diferenciada, na segurança e na localização”.

Jorge Serôdio Borges referiu que as restrições impostas pela classificação do Douro pela UNESCO também “limitam, de certa forma, a construção em Vale de Mendiz”.

Em Vila Real, os vinhos da Wine & Soul são preparados para a expedição para os 20 mercados da empresa. Cerca de 70% da sua produção é destinada à exportação para países europeus, Estados Unidos da América e Brasil.

A empresa possui à volta de 30 hectares de vinha e, entre vinho e azeite, produz uma média anual de 95 mil garrafas.

Jorge Serôdio Borges referiu ainda que o armazém está, neste momento, “com utilização quase máxima”, pelo que pretende ampliar o espaço, tendo para o efeito adquirido um segundo lote ao lado do primeiro. O objetivo é aumentar a capacidade e diversificar os serviços.

Nuno Augusto destacou o “papel importante” desempenhado pelo Regia ao nível da criação e do apoio às empresas.

“É um grupo muito heterogéneo que acaba por facilitar a integração de novas empresas e a criação de muitos negócios entre elas. É uma rede que se complementa”, sublinhou.

O Regia Douro Park está direcionado para as áreas agroalimentar, agroindustrial, enologia, viticultura, economia verde, valorização ambiental e tecnologias agroambientais e tem várias valências de suporte dirigidas a empreendedores, empresas e investigadores nacionais e internacionais.

Para além da construção nos lotes industriais, as empresas instalam-se ainda em gabinetes nos dois edifícios centrais do parque ou podem trabalhar a partir do espaço de ‘coworking’.

A Gato Amarelo, que atua na área da consultoria em tecnologias de informação, comunicação, design e formação, é uma das empresas mais recente a instalar-se no Regia.

Ana Guerra e Arlindo Santos disseram que encontraram naquele espaço as condições ideais para desenvolver o trabalho, apontaram ainda o “capital humano e intelectual” associados às outras empresa e a possibilidade de serem criadas parcerias.

“A razão por que nós decidimos vir para aqui é porque existe algo aqui que não encontrámos em lado nenhum, que é uma diversidade de pessoas com conhecimentos diferentes que, para nós, vai ser útil”, afirmou Ana Guerra.

O Regia Douro Park foi promovido pelo município de Vila Real, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e a Portuspark.

A construção deste parque representou um investimento de cerca de 9,5 milhões de euros, comparticipados a 85% por fundos comunitários.

Ali está instalada uma incubadora, o Espaço Empresa, que é um balcão único de atendimento e que ajuda, por exemplo, no registo de marcas ‘online’ ou na criação de chave móvel digital, ainda o Centro de Excelência da Vinha e do Vinho, e a sede da Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), que lidera o laboratório Colaborativo (CoLAB) Vine & Wines.

Comente este artigo
Anterior Nestlé entrega 400 colmeias a apicultores
Próximo A importância das coberturas nos sistemas de armazenamento de água

Artigos relacionados

Últimas

Moçambique lança “alerta máximo” para possível praga de gafanhotos no norte do país

O Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural moçambicano lançou um “alerta máximo” para uma possível praga de gafanhotos na região fronteiriça entre Moçambique e Maláui. […]

Últimas

OPINIÃO: Agenda de inovação é para já uma estratégia de intenções

Foi apresentado no passado dia 11 de Setembro a Agenda de Inovação do Ministério da Agricultura 2020-2030.Como primeiros comentários, o COTHN–CC, […]

Dossiers

COVID-19: Autoridade de Gestão PDR2020 responde a questões relacionadas com projetos de investimento

1. Como irão ocorrer as prorrogações dos prazos de execução das operações, cuja data limite para finalização da execução física e financeira […]