Portugal e Espanha “salvaram o lince-ibérico”

Portugal e Espanha “salvaram o lince-ibérico”

“Podemos hoje dizer que salvámos [Portugal e Espanha] o lince-ibérico. Obviamente que ainda está ameaçado, o número de indivíduos que temos é muito limitado, mas já estamos a entrar em velocidade de cruzeiro”, disse o secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Catarino, em declarações à agência Lusa.

O governante realçou “o sucesso e a forma como tem decorrido” o projeto de reintrodução da espécie, cujo resultado é “extraordinariamente positivo”, tendo em conta que nas décadas de 70 e 80 do século XX havia “menos de 200” exemplares de lince-ibérico em liberdade na Península Ibérica e “hoje já há cerca de 800”, 109 dos quais em Portugal.

E “a adaptação ao meio natural” dos exemplares de lince-ibérico libertados “tem sido muito positiva”, frisou, sublinhado que já se registaram 91 nascimentos de lince-ibérico na natureza em Portugal, a maioria (75) nos últimos dois anos (29 em 2018 e 46 em 2019).

“Podemos estar obviamente orgulhosos do trabalho que se fez na última década para salvar esta espécie, que esteve fortemente ameaçada, está ainda ameaçada, mas julgo que hoje podemos olhar para ela já com muito mais segurança no seu futuro do que há cinco ou seis anos”, afirmou João Catarino.

O secretário de Estado falava à Lusa a propósito da libertação hoje de um casal de lince-ibérico no Vale do Guadiana, no concelho de Mértola, distrito de Beja, subindo para 109 o número de exemplares da espécie a viverem livres na natureza em Portugal.

João Catarino disse que está em curso uma nova candidatura ibérica ao programa LIFE da União Europeia, a do projeto “LynxConnec”, que deverá ser o sucessor do “Life+Iberlince”, que “decorreu até 2018, terminou e foi feito tudo o que estava previsto”.

A nova candidatura, que envolve parceiros portugueses e espanhóis, “já teve um parecer favorável”, disse, referindo que “está tudo muito bem encaminhado e tudo indica que será aprovada”.

Segundo o governante, se for aprovada, a nova candidatura, que prevê um conjunto de intervenções nas áreas onde há linces a viverem em liberdade e outros serão libertados em Portugal e Espanha, permitirá “prosseguir e consolidar os objetivos da reintrodução” da espécie.

Questionado sobre se há o risco de o processo de reintrodução da espécie ficar sem financiamento devido à intermitência entre quadros comunitários e apresentações e aprovações de candidaturas, o secretário de Estado respondeu: “Não pode haver”.

“Num projeto desta natureza, isso seria comprometer todo o trabalho de uma década e por isso é que não pode acontecer”, disse, frisando que “uma das virtudes deste projeto é precisamente a continuidade que tem existido ao longo do tempo no financiamento”.

“Para bons projetos não falta financiamento e, felizmente, temos um conjunto de instrumentos comunitários e também do Orçamento do Estado que nos podem ajudar a alavancar projetos” no âmbito da reintrodução da espécie, referiu.

Além do programa LIFE, há outros instrumentos, como o Fundo Ambiental, que “tem contribuído todos os anos para o financiamento” do Centro Nacional de Reprodução de Lince Ibérico (CNRLI), em Silves, no Algarve, indicou.

“Obviamente que a candidatura ao Programa LIFE se vier a ser aprovada ajudará a fazer muito mais”, mas, “independentemente disso, há a garantia de que o milhão de euros que tem sido todos os anos investido no CNRLI vai continuar a acontecer, porque não podemos hipotecar todo um trabalho sério que foi feito ao longo dos anos e acima de tudo um trabalho que tem resultados extraordinários”, rematou.

O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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