A organização não-governamental La’o Hamutuk pediu hoje ao Estado timorense para investir no setor agrícola, aumentar a variedade de produtos cultivados e diversificar a economia para depender menos do Fundo Petrolífero.
As recomendações constam num comunicado enviado à imprensa por ocasião da celebração do Dia Mundial da Alimentação, dedicado ao tema “Inovar hoje para nutrir o amanhã”, que se assinala na quinta-feira.
A La’o Hamutuk recomenda ao Governo timorense para garantir uma “afetação plurianual de pelo menos 5% do orçamento” para “fortalecer a economia nacional produtiva e sustentável”, com políticas que integrem o desenvolvimento rural, a proteção ambiental, a economia local e o comércio nacional.
Outra recomendação da organização não-governamental passa pelo fortalecimento da agricultura familiar e o aumento da diversidade de produtos locais para reduzir os produtos importados.
“O investimento deve focar-se em resultados concretos e não apenas na aquisição e distribuição de equipamentos modernos”, salienta a La’o Hamutuk.
Para promover a diversificação, a organização não-governamental sugere que seja adotada a agroecologia na horticultura, fruticultura, pecuária, aquacultura e produtos florestais.
Outra proposta passa pela ligação dos programas de nutrição aos produtores locais, ou seja, ao permitir que as escolas adquiram produtos locais, o Governo estar a criar mercado para os agricultores e a reforçar a cadeia de valor nacional.
Por último, a La’o Hamutuk salienta a necessidade de acelerar a diversificação económica antes do esgotamento do Fundo Petrolífero de Timor-Leste, através do fortalecimento do capital humano, do desenvolvimento de uma economia produtiva e da criação de fontes de receitas sustentáveis.
“A diversificação económica deve constituir uma prioridade estratégica do Estado para evitar uma futura crise fiscal”, acrescenta.
Segundo os dados divulgados pelo Governo, 47% das crianças com menos de cinco anos sofre de má nutrição crónica, 8,6% de desnutrição aguda, 32% têm peso abaixo do previsto e deficiências de vitamina A, ferro e iodo.
As autoridades timorenses apresentaram, em março, um plano de ação multissetorial de nutrição, que visa reduzir o atraso no crescimento infantil para 25% até 2030 com foco nos recém-nascidos e crianças até aos 23 meses e mulheres em idade reprodutiva.













































