A Organização Não-Governamental (ONG) Save the Children prevê apoiar 13.645 famílias moçambicanas em ações de adaptação às mudanças climáticas, proteção social e geração de rendimento até 2029, através do projeto LINK, apresentado hoje em Maputo.
A iniciativa foi apresentada pelo diretor de projetos da Save the Children, Lionel Langa, à margem da mesa-redonda sobre Proteção Social Adaptativa em Moçambique, realizada sob o lema “Fortalecendo a Resiliência Climática através do Diálogo, do Conhecimento e da Ação Comunitária”.
Segundo o responsável, o projeto foi concebido para complementar o Programa de Ação Social Produtiva (PASP), implementado pelo Governo moçambicano para promover a inclusão socioeconómica e reforçar a capacidade de resposta de agregados familiares vulneráveis.
O LINK prevê beneficiar diretamente 3.645 famílias abrangidas pelo PASP e outras 10.000 famílias através de intervenções comunitárias de adaptação climática, totalizando 13.645 agregados familiares.
“A nossa aposta é assegurar que as famílias beneficiárias do PASP tenham acesso a oportunidades para gerar renda e garantir que sejam mais resilientes aos eventos climáticos a que estão expostas”, afirmou Lionel Langa.
Com conclusão prevista para 2029, o projeto está concentrado sobretudo em zonas semiáridas, consideradas particularmente vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas.
Segundo o responsável, as comunidades enfrentam cada vez mais fenómenos climáticos extremos de natureza distinta.
“Em áreas tão suscetíveis à seca, também vemos a ocorrência de inundações, pelo que somos chamados a uma intervenção muito mais acutilante para assegurar que realmente reforçamos a resiliência das nossas comunidades”, disse.
A diretora da Save the Children, Ilaria Manunza, defendeu que a crescente exposição das famílias a choques climáticos, incluindo os associados ao fenómeno El Niño, exige mecanismos capazes de antecipar riscos e reduzir impactos sociais.
“É precisamente aqui que a proteção social adaptativa desempenha um papel fundamental. Quando uma família perde a sua colheita devido à seca ou vê a sua casa destruída por um ciclone, as crianças estão entre os mais afetados. A sua nutrição deteriora-se”, afirmou.
Segundo a responsável, os efeitos das alterações climáticas aumentam igualmente os riscos de abandono escolar e outras formas de vulnerabilidade social, podendo transformar choques temporários em crises prolongadas.
“As experiências do projeto LINK, financiado pelo Green Climate Fund, mostram-nos também que as soluções sustentáveis exigem uma articulação efetiva entre proteção social, adaptação climática, gestão do risco de desastres e desenvolvimento local”, acrescentou.
Ilaria Manunza defendeu ainda a necessidade de envolver as comunidades na definição das respostas e de assegurar a participação de mulheres, jovens, crianças e pessoas com deficiência.
Por sua vez, a representante do Ministério do Trabalho, Género e Ação Social, Gertrudes Jonas, considerou que o projeto contribui para melhorar o conhecimento sobre os impactos climáticos e reforçar as políticas públicas de proteção social.
Segundo a responsável, a iniciativa está a ser implementada em nove distritos das províncias de Gaza, no sul do país, e Manica e Tete, na região centro.














































