Oitenta por cento da área de produção de maçã de Armamar foi destruída pelo mau tempo

“Cerca de 80% da área de produção de maçã foi afetada e está praticamente destruída. Talvez 20% da produção possa ter ainda algum valor comercial, mas todo o restante foi completamente destruído”, adiantou João Paulo Fonseca.

Segundo o autarca, “as contas ainda estão a ser feitas, está a ser feito um levantamento exaustivo e pormenorizado”, mas, do que já falou com os técnicos da associação de fruticultores, o presidente da Câmara contabilizou mais de oito milhões de euros (ME).

“Estamos a falar de cerca de 1.100 hectares afetados, se tivermos em conta que a média é de cerca de 40 toneladas por hectare, estamos a falar na ordem das 45 mil toneladas. Isto dará um prejuízo na ordem dos 8,300 ME, embora as contas ainda não estejam afinadas”, contabilizou.

João Paulo Fonseca explicou que o mau tempo “afetou mais o sul do concelho, na área da maçã”, uma vez que este fruto “é o grande pilar económico do concelho, a par do vinho do Douro”, que se produz mais a norte.

“Isto prejudica diretamente os fruticultores, mas vai afetar e prejudicar toda uma economia local, que tem uma relação muito direta com aquilo que são os rendimentos vindos deste setor frutícola”, alertou o autarca.

Um alerta que chega após um período de confinamento, por causa da pandemia da covid-19, que, “à semelhança do resto do país, também causou algum impacto na fruta e no preço da maçã, por causa da restauração e outros mercados fechados”, causando “alguma dificuldade também no escoamento.

Esta intempérie vem “acentuar as dificuldades no concelho, não se perspetivando tempos nada fáceis para os produtores e população do concelho e da região” Douro Sul, considerou João Paulo Fonseca que reconheceu que “não se esperam dias fáceis”.

A mesma opinião tem o presidente da Câmara Municipal de Tarouca, também no distrito de Viseu, que já visitou alguns produtores frutícolas e hortícolas.

“Ainda não se sabe se já terminou, há pessoas que perderam tudo. Desde o vinho, à maçã, à cereja. Não ficaram com nada. Já hoje dei uma volta pelos mais afetados e fiquei muito triste com o que vi e do que conversei percebi que foi a perda total de um ano de trabalho com todas as suas economias perdidas”, anotou Valdemar Pereira.

Em Tarouca, as contas ainda não estão feitas, mas o autarca disse que, por exemplo, na baga do sabugueiro há uma perda “muito grande, na ordem dos 40%, no mínimo, embora na maçã o prejuízo seja maior”.

“A maçã e a vinha foram os mais afetados. São muitos hectares de prejuízo. Só para se ter uma ideia, só dois produtores, em macieiras, tinham uma média de meio milhão de toneladas, só dois”, destacou Valdemar Pereira que reconheceu que “vai ser preciso ajuda do Estado central.

Ambos os autarcas adiantaram que na terça-feira vão reunir-se com a Diretora Regional da Agricultura e Pescas do Norte no sentido de se “tentar apoio para os agricultores e produtores”.

O autarca de Armamar esclareceu ainda que quer “debater medidas de apoios para os produtores poderem investir de modo a proteger as suas produções de tragédias”, de modo a que possam “fazer o inevitável, que é a cobertura dos pomares para prevenir estes episódios climáticos que são cada vez mais frequentes”.

IYN // SSS

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