Novo bispo de Tête. “Enquanto na Beira há excesso de chuva”, noutras zonas está tudo “a secar”

Novo bispo de Tête. “Enquanto na Beira há excesso de chuva”, noutras zonas está tudo “a secar”

Há vários anos em Moçambique, onde era atualmente o Superior dos Missionários da Consolata, Diamantino Antunes diz que nunca esperou ser Bispo, mas vê na escolha do Papa, conhecida esta sexta-feira, o reconhecimento do trabalho da congregação.

“Não, não esperava. Não desejava e não esperava. Mas foi uma boa surpresa, no sentido em que penso que é um voto de confiança no trabalho que nós, missionários, realizamos em Moçambique”, explica à Renascença. “Não olharam só ás minhas qualidades, mas sobretudo ao nosso amor a esta Igreja local, e ao nosso serviço que estamos realizando.”

A diocese de Tête será a sua próxima missão. A responsabilidade dos últimos anos, na Congregação, fez com que já tenha visitado a região, por isso até já calcula qual será o seu maior desafio.

“Tête faz fronteira com o Malawi, a Zâmbia e com o Zimbabué. Dista 1.500 km de Maputo. É uma província imensa, e a diocese corresponde ao território da província, tem 102 mil km quadrados, é superior à superfície de Portugal. O desafio maior, sem dúvida, será poder dar assistência religiosa a um imenso território”, refere.

Mas e a presença da Igreja, continuará a ser importante em Moçambique? “Sem dúvida que sim”, garante Diamantino Antunes. “A Igreja tem uma presença capilar em todo o país, de norte a sul, de leste a oeste, e está muito empenhada no campo social. Aliás, sempre esteve, com poucos recursos, mas com muita boa vontade e com uma presença que, de facto, permite chegar a todos”, afirma o novo bispo, lembrando que “a Igreja colaborou na paz, na sua consolidação, no aprofundamento da democracia e hoje, sem dúvida, continua a fazê-lo e a responder às necessidades básicas da população.”

A sua nomeação como Bispo é conhecida numa altura em que país enfrenta a tragédia das cheias, sobretudo na região centro, depois da passagem do ciclone Idai pela região. Diamantino Antunes diz que o mais urgente é conseguir resgatar as pessoas que continuam isoladas, “são centenas de famílias”. Depois, é preciso que a nível local se coordene bem as ajudas que vão chegando do exterior.

“O mais importante neste momento é fazer chegar essa ajuda às organizações que estão no terreno, incluindo a Igreja católica, com a Cáritas e outras organizações, como a Conferência dos Religiosos de Moçambique, para que depois a encaminhem para quem mais precisa”.

O que, por enquanto, não está a ser fácil, adianta. “O grande problema, sobretudo na província da Beira, é a dificuldade de comunicação. As estradas estão cortadas, o território está alagado de água, e é difícil chegar onde, de facto, as pessoas estão.”

Diamantino Antunes conta que este está a ser um ano horrível para Moçambique em termos climáticos, e que as cheias não são a única tragédia que afeta o país.

Noutras zonas, como aquela em que se encontra, há o problema da seca severa. “Estou em Inhambane, a cerca de 800 kms da cidade da Beira, e infelizmente aqui não chove. A agricultura, a produção agrícola está a secar, por falta de chuva. Enquanto que na Beira e no centro de Moçambique o problema é o excesso de chuva, aqui é a carência de chuva, com pobreza e ameaça da fome”.

Contrastes de um país que conhece bem. Diamantino Antunes é de Albergaria dos Doze, em Leiria, mas foi para Moçambique há vários anos, com os missionários da Consolata. Tem 52 anos de idade, e a sua ordenação como novo bispo de Tête está marcada para 12 de maio.

O artigo foi publicado originalmente em Rádio Renascença.

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