Madeira celebra 50 anos da reserva natural das ilhas Selvagens e quer torná-las referência mundial

Madeira celebra 50 anos da reserva natural das ilhas Selvagens e quer torná-las referência mundial

“A nossa visão é ter a reserva natural das ilhas Selvagens uma incontornável referência mundial para a conservação da natureza até 2071, ou seja, até daqui a 50 anos”, afirmou hoje o vogal do conselho diretivo do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN) da Madeira Paulo Oliveira.

Na apresentação do programa de comemoração dos 50 anos da reserva das ilhas Selvagens, a bordo do navio RP Douro, no porto do Funchal, Paulo Oliveira sublinhou que o ICFN não pretende assinalar a efeméride apenas “com fogo de artifício e depois ficava por aí”.

“Queríamos ser consequentes e que este ano fosse o primeiro dos próximos 50 anos da reserva natural das ilhas Selvagens em direção a uma excelência ainda maior”, disse.

O programa inclui o lançamento de um livro ilustrado para crianças inspirado na travessia que o velejador madeirense João Rodrigues fez há 10 anos, na altura das comemorações dos 40 anos da reserva natural, a divulgação de um roteiro natural e cultural das ilhas selvagens por parte do Governo e o apoio de outras iniciativas como exposições, documentários e conferências internacionais.

Será também organizada uma regata pela Associação Regional de Vela da Madeira, bem como uma expedição liderada pelo IFCN à Selvagem Grande “com o envolvimento de várias entidades nacionais e internacionais, cujo objetivo principal é o de analisar o estado de conservação dos ecossistemas das Selvagens, 50 anos após a criação da Reserva Natural e 20 anos após projeto de Recuperação dos habitats terrestres da Selvagem Grande”.

A expedição vai ser realizada a bordo da embarcação Santa Maria Manuela, um antigo bacalhoeiro, referiu Paulo Oliveira, acrescentando que “está a ser equacionada uma segunda expedição dirigida ao ambiente marinho”.

Entre as iniciativas previstas, destacam-se ainda uma travessia de mota de água em autonomia do Funchal às Selvagens feita por Frederico Rezende e uma ida a nado da Selvagem Grande à Selvagem Pequena feita pela nadadora Mayra Santos, recordista mundial.

Paulo Oliveira realçou também o projeto “Ilhas Selvagens sem lixo”, que pretende fazer uma recolha regular do lixo marinho encontrado naqueles locais “com o objetivo de salvaguarda ambiental, mas também de ser criado um esquema de monitorização que permita avaliar e estudar este problema”.

Presente na sessão, a secretária regional do Ambiente, Susana Prada, sublinhou que “não restam dúvidas de que o ano 1971 escreveu um novo capítulo na História de Portugal, o da conservação”, recordando que as ilhas Selvagens constituem a primeira reserva natural do país.

A necessidade urgente de proteger a colónia de cagarras ali existente, alvo de uma atividade de caça insustentável, “despoletou o desígnio maior, de proteger todo aquele santuário terrestre e marinho”, recordou.

A governante destacou, igualmente, os projetos feitos ao longo dos últimos anos para proteger as Selvagens, algumas expedições e visitas de um conjunto de entidades.

“O Governo Regional tudo fará para que os próximos 50 anos continuem a ser de conservação e de conhecimento nas ilhas Selvagens”, assegurou.

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