Língua Azul. Região do Algarve com vacinação obrigatória contra serotipos 1 e 4 da Febre Catarral Ovina

Língua Azul. Região do Algarve com vacinação obrigatória contra serotipos 1 e 4 da Febre Catarral Ovina

A DGAV — Direcção Geral de Alimentação e Veterinária estabeleceu uma nova zona de restrição para os serotipos 1 e 4 da Febre Catarral Ovina (ou doença da língua azul), que abrange toda a região do Algarve, com vacinação obrigatória contra esses serotipos na região, tendo em conta a confirmação da ocorrência de focos destes serotipos.

Após um silêncio epizoótico de 2 anos, foi confirmado um resultado positivo ao serotipo 4 do vírus da língua azul em Novembro de 2020, no concelho de Faro, resultante da investigação de suspeitas clínicas, tendo sido confirmados mais focos e suspeitas clínicas na região do Algarve.

Na mesma região foi também confirmado um foco de serotipo 1 da língua azul após um silêncio epizoótico de mais de 3 anos em Portugal continental.

“Assim, tiveram de ser readaptadas as áreas sujeitas a restrições e estabelecida uma área de vacinação obrigatória para os serotipos 1 e 4 que abrange toda a região do Algarve”, refere o Edital nº 55 da DGAV.

As medidas de controlo implementadas na sequência dos serotipos do vírus da língua azul que surgiram em Portugal continental têm sido adaptadas em função da avaliação dos resultados dos programas de vigilância e baseiam-se na delimitação de zonas de restrição, na implementação de condicionantes à movimentação animal das espécies sensíveis e de programas de vacinação.

A língua azul ou febre catarral ovina é uma doença epizoótica de etiologia viral que afecta os ruminantes, com transmissão vectorial, incluída na lista de doenças de declaração obrigatória nacional e europeia e na lista da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

A actualização da DGAV sobre a doença da língua azul destaca que:

– A área geográfica sujeita a restrições por serotipo 1 e por serotipo 4 do vírus da língua azul, (S1-4), agora sazonalmente livre, é constituída por todos os concelhos da DGAV – Algarve.

– É obrigatória a vacinação contra os serotipos 1 e 4 do vírus da língua azul, dos ovinos existentes em todos os concelhos da DGAV – Algarve, mediante a primovacinação ou revacinação anual com vacina inactivada, do efectivo ovino reprodutor adulto e dos jovens destinados à reprodução, a partir dos 6 meses de idade.

– As regiões autónomas dos Açores e da Madeira continuam zonas livres de língua azul.

Língua Azul Serotipo 4 (BTV4)

A Língua Azul ou Febre Catarral Ovina, surgiu pela primeira vez no território português em Novembro de 2004 através do serotipo 4 e circulou no território nacional continental entre Novembro de 2004 e Março de 2008.

Foi então implementado um conjunto de medidas de controlo baseadas na adaptação da área geográfica sujeita a restrições, na imposição de restrições à movimentação animal, na implementação de um programa de vigilância clínica, serológica e entomológica e em programas de vacinação, o que permitiu que Portugal se declarasse livre da doença em Março de 2010, decorridos 2 anos sobre a última evidência de circulação viral, de acordo com as regras do código da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

O último resultado positivo do serotipo 4 da língua azul tinha ocorrido em Novembro de 2018 e uma vez decorridos dois anos desde a última evidência de circulação viral, Portugal tinha intenção de se declarar agora livre deste serotipo, ao abrigo do constante do código terrestre da Organização Mundial de Saúde Animal.

Face à situação epidemiológica, com a ocorrência de focos de serotipo 4 da língua azul em Novembro de 2020, na região do Algarve, tal não será possível, no entanto cessa a obrigatoriedade de vacinação para este serotipo na área prevista no Edital nº 53 e é estabelecida uma nova área de vacinação obrigatória que abrange toda a região do Algarve.

Língua Azul Serotipo 1 (BTV1)

Em Setembro de 2007 foi confirmado em território português o primeiro foco de serotipo 1 da Língua Azul na região do Alentejo, o que determinou de igual forma a delimitação de uma área geográfica sujeita a restrições, com imposição de restrições à movimentação animal, para além dos planos de vigilância clínica, serológica e entomológica e de programas de vacinação.

A 31 de Outubro de 2008 surgiu o primeiro foco do serotipo 1 da Língua Azul na região Norte do País, através de uma suspeita clínica, o que determinou que a totalidade do território nacional continental fosse considerado área geográfica sujeita a restrição.

Durante o ano de 2012 ocorreram dois focos primários por BTV1, seguindo-se um silêncio epizoótico durante 3 anos.

A doença ressurgiu em Setembro de 2015 na região do Alentejo, com os primeiros focos identificados nos concelhos de Moura, Mértola e Serpa, com ocorrências reportadas noutros Concelhos da região e também na região do Algarve. O último foco ocorreu em Janeiro de 2017.

Em Novembro de 2020, a ocorrência de dois focos de serotipo 1 de língua azul na região do Algarve após um silêncio epizoótico de mais de 3 anos em Portugal continental, determinou uma readaptação das zonas de restrição e a obrigatoriedade de vacinação contra os serotipos 1 e 4 na região do Algarve.

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

Comente este artigo
Anterior Las almendras siguen acumulando repuntes en algunas lonjas nacionales
Próximo Seminário “Waste2Value - Casos de Sucesso de um Grupo Operacional PDR2020“ - 20 de janeiro

Artigos relacionados

Dossiers

Estenfiliose na pera rocha: está na altura de retirar e destruir folhas

Última informação do Grupo de Trabalho da Estenfiliose divulgada pelo INIAV. Controlo da maturação dos futuros esporos do fungo que causa a doença é crucial para debelá-la. […]

Últimas

OrangeBee vence Ecotrophelia Portugal 2020

“OrangeBee”, um preparado fermentado de aquafaba com geleia de laranja e polvilhado com pólen apícola, foi o produto vencedor da quarta edição do concurso Ecotrophelia Portugal, […]

Sugeridas

2020-30: Uma década determinante para a modernização da agricultura – Luís Mira

“CAP espera que as verbas disponibilizadas na próxima década não sejam aplicadas numa lógica eleitoralista, mas sim numa lógica de sustentabilidade e equilíbrio do território, tão necessários ao […]