Incêndios: Em Alijó fazem-se faixas de contenção para travar possíveis reacendimentos

Incêndios: Em Alijó fazem-se faixas de contenção para travar possíveis reacendimentos

“Na zona em que ardeu estamos a fazer uma faixa de contenção para que, no caso de haver reacendimentos, o fogo não prossiga para o outro lado da estrada onde está ainda uma vasta zona de pinhal”, afirmou Vítor Ferreira à agência Lusa.

O autarca apontou preocupações com o aumento da temperatura e do vento, previstos para esta tarde.

“Tudo isso nos está a levantar alguns problemas, principalmente porque, aqui onde nós estamos, temos uma mancha de 8.000 hectares de pinhal em que se o fogo entrar vai ser muito difícil de o combater”, referiu.

Os trabalhos estão a decorrer na estrada que desce da aldeia do Pópulo para Vale de Cunho e Casas da Estrada, zona onde foi também alargado um caminho florestal para possibilitar a passagem dos veículos pesados de combate aos incêndios.

O alerta para o fogo foi dado pelas 15:00 de quarta-feira, na zona da aldeia de Ribalonga, concelho de Alijó, mas o vento forte originou projeções para o outro lado da Autoestrada 4 (A4), já no concelho de Murça.

O incêndio foi dado como dominado durante a madrugada e, esta manhã, permanecem no terreno mais de 200 operacionais e 60 viaturas, bem como um helicóptero.

O fogo consumiu entre 500 a 600 hectares de mato e pinhal nos concelhos de Alijó e de Murça.

Vítor Ferreira referiu que foram também queimadas áreas de castanheiros e ainda de vinha.

Neste incêndio, duas pessoas ficaram feridas, um civil de 48 anos, residente em Ribalonga, que sofreu queimaduras e um militar da Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR (ex GIPS), que se feriu num braço.

Também uma bombeira que estava a combater as chamas “sentiu-se mal e foi retirada do teatro de operações”.

Albino Costa, 68 anos, vive no Pópulo e foi alertado para o fogo que se aproximava do seu trator, que se encontrava na aldeia de Casas da Estrada, onde esteve a cortar lenha.

“Avisaram-me para vir tirar o trator depressa, peguei no carro e vinha para baixo, cheguei ao estaleiro e a Guarda não me deixou passar”, contou.

Ardeu mato até junto às rodas do trator, que se salvou.

Foi Florinda Ribeiro Aires, de 65 anos, que deu a boa notícia a Albino Costa, mas esta moradora em Casas da Estrada lembra uma tarde de “muito medo”.

“O fogo andou mesmo perto das casas. Estava lá em cima, perto do santuário, e em pouco tempo já estava aqui. Chegou aqui muito rapidamente e depois espalhou-se para aquele lado”, referiu, apontando para o concelho vizinho de Murça.

O artigo foi publicado originalmente em SAPO 24.

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