Incêndios. Ano de 2020 com segundo valor mais baixo dos últimos dez anos

Incêndios. Ano de 2020 com segundo valor mais baixo dos últimos dez anos

Comparando os valores do ano de 2020 com o histórico dos dez anos anteriores, registaram-se menos 54% de incêndios rurais e menos 54% de área ardida relativamente à média anual da última década.

O número de incêndios ocorridos este ano e até 15 de julho situa-se no segundo mais baixo dos últimos dez anos e a área ardida regista o quinto valor mais reduzido, segundo dados provisórios divulgados esta quinta-feira.

O relatório do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) indica que, entre 1 de janeiro e 15 de julho, deflagraram 3.383 incêndios, menos 1.907 (menos 36%) do que as ocorrências de fogo registadas no mesmo período do ano passado, quando tinha ocorrido 5.290.

Segundo o ICNF, as chamas consumiram 9482 hectares (ha) até 15 de julho, entre povoamentos (3396 ha), matos (3123 ha) e agricultura (2963 ha), uma redução de cerca de 6% (menos 702 ha) em relação ao mesmo período de 2019.

“Comparando os valores do ano de 2020 com o histórico dos dez anos anteriores, assinala-se que se registaram menos 54% de incêndios rurais e menos 54% de área ardida relativamente à média anual do período”, refere o relatório, frisando que 2020 apresenta, até ao dia 15 de julho, “o segundo valor mais reduzido em número de incêndios e o quinto valor mais reduzido de área ardida desde 2010”.

O mesmo documento indica também que 88% dos incêndios registados este ano tiveram uma área ardida inferior a um hectare, tendo ocorrido até à data dois fogos de maior dimensão, ou seja, com uma área superior ou igual a mil hectares, designadamente os que deflagraram nos concelhos de Aljezur (Faro) e Castro Verde (Beja). Do total de 3.383 incêndios rurais verificados até 15 de julho, foram investigados 53% e atribuiu uma causa para 69%.

De acordo com o relatório, até à data, as causas mais frequentes são as queimas e queimadas (49%) e o incendiarismo — imputáveis (20%), representando os reacendimentos 8% do total, num valor inferior face à média dos dez anos anteriores (13%).

Os dados provisórios do ICNF até 15 de julho indicam igualmente que o maior número de incêndios ocorreu nos distritos do Porto (796), Aveiro (266) e Viseu (242), mas, em qualquer dos casos, são maioritariamente de reduzida dimensão e não ultrapassam um hectare de área ardida.

Por sua vez, o distrito mais afetado pela área ardida é Faro, com 2826 hectares, cerca de 30% da área total ardida até à data, seguido de Beja com 2622 hectares (28% do total) e de Viseu com 911 hectares (10% do total).

O INCF sublinha que, até à data, o mês de julho é aquele que apresenta maior número de incêndios rurais, com um total de 1.324 incêndios, sendo também julho o que regista maior área ardida com 4915 hectares.

O relatório refere ainda que o valor de área ardida real (9.482 ha) corresponde a 60% da “área ardida ponderada”, o que significa que a área ardida no ano de 2020 é inferior à área ardida “expectável” tendo em conta a severidade meteorológica verificada, ou seja, com as temperaturas elevadas, vento forte, ausência de precipitação e humidade relativa baixa.

O artigo foi publicado originalmente em Observador.

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