Governo aponta retração no consumo e avalia excedente agrícola

A ministra da Agricultura disse hoje que se registou uma retração no consumo, devido à pandemia de covid-19, que potenciou um excesso de produção, estando ainda a avaliar novas formas para canalizar este excedente.

Não tivemos quebras na cadeia de abastecimento. Não faltaram fatores de produção, não faltaram transportes para as mercadorias, nem trabalhadores. O que está a acontecer no nosso país é um excesso de oferta por diminuição da procura”, disse Maria do Céu Albuquerque, em resposta aos deputados, numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar.

A governante justificou esta situação com as alterações registadas nos padrões de consumo, por exemplo, na redução do número de deslocações ao supermercado e escolha de produtos não perecíveis, bem como com o encerramento de restaurantes e hotéis.

Durante a sua intervenção, Maria do Céu Albuquerque vincou ainda que o executivo está a incentivar os consumidores a comprarem produtos nacionais, acrescentando que a retração do consumo não é um fenómeno sentido apenas em Portugal.

Para Maria do Céu Albuquerque, o facto de Portugal ser abrangido pela Política Agrícola Comum (PAC) tem permitido que este setor, apesar dos prejuízos registados, não seja o mais afetado pelo novo coronavírus.

A ministra da Agricultura lembrou também que o Governo já retirou alguns produtos do mercado, como pequenos frutos, equilibrando a oferta e apoiando os produtores, aguardando agora “luz verde” de Bruxelas para alargar esta possibilidade a outras categorias de alimentos.

De acordo com o ministério, este excedente é destinado a instituições particulares de solidariedade social, bem como ao Banco Alimentar.

Porém, está a ser avaliada a possibilidade de alargar a distribuição destes alimentos a outras instituições que apoiem as famílias com maiores necessidades.

Adicionalmente, em cima da mesa está a hipótese de, caso ainda sejam registados excedentes, após estas medidas serem postas em prática, os mesmos serem entregues a jardins zoológicos.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 140 mil mortos e infetou mais de 2,1 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 450 mil doentes foram considerados curados.

Portugal regista 629 mortos associados à covid-19 em 18.841 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde sobre a pandemia.

Relativamente ao dia anterior, há mais 30 mortos (+5%) e mais 750 casos de infeção (+4,1%).

Das pessoas infetadas, 1.302 estão hospitalizadas, das quais 229 em unidades de cuidados intensivos, e 493 foram dadas como curadas.

O artigo foi publicado originalmente em Notícias ao Minuto.

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