A Comissão Europeia apresentou uma nova abordagem estratégica para a investigação e inovação no setor agroalimentar, com o objetivo de acelerar a passagem do conhecimento científico para soluções concretas no terreno. A nova abordagem assenta em dois quadros complementares: AgRI 2040, dedicado à agricultura, silvicultura e zonas rurais, e Food 2040, centrado nos sistemas alimentares, incluindo as pescas e a aquicultura.
✍️ Carla Amaro
A Comissão Europeia quer reforçar a ligação entre ciência, inovação e aplicação prática no setor agroalimentar. A 8 de setembro, apresentou uma nova abordagem estratégica para a investigação e inovação destinada a tornar a agricultura, a silvicultura, as zonas rurais e os sistemas alimentares europeus mais competitivos, resilientes e sustentáveis.
A nova abordagem assenta em dois quadros complementares: AgRI 2040, dedicado à agricultura, silvicultura e zonas rurais, e Food 2040, centrado nos sistemas alimentares, incluindo as pescas e a aquicultura. Ambos deverão orientar as prioridades europeias de investigação e inovação até 2040.
Da investigação ao mercado
Um dos principais objetivos da estratégia é encurtar a distância entre a investigação e a sua aplicação. A Comissão pretende reforçar todo o percurso da inovação, desde a investigação inicial e produção de conhecimento até à experimentação, demonstração, investimento, entrada no mercado e adoção em maior escala.
Para isso, será dada maior importância à colaboração entre investigadores, utilizadores finais e empresas, permitindo desenvolver e testar soluções em condições reais. A abordagem pretende também facilitar a chegada ao mercado de inovações desenvolvidas por startups, scaleups e pequenas e médias empresas (PME).
A estratégia inclui áreas particularmente relevantes para a biotecnologia e a bio economia. Entre as prioridades de AgRI 2040 encontram-se os sistemas de produção vegetal, a saúde das plantas, as culturas proteicas, a bio economia na agricultura e na floresta, bem como a digitalização, a inteligência artificial e a robótica.
No âmbito de Food 2040, a Comissão identifica, entre outras áreas, a eficiência na utilização de recursos, a redução da poluição, dietas saudáveis e sustentáveis, novos modelos de negócio e a expansão de soluções inovadoras nos sistemas alimentares.
Biotecnologia integrada na estratégia europeia
A nova abordagem enquadra-se na Vision for Agriculture and Food e está igualmente ligada à Strategy for European Life Sciences e à EU Bioeconomy Strategy. A Comissão pretende, desta forma, criar uma abordagem mais integrada à investigação e inovação, valorizando o contributo da ciência e das novas tecnologias para a competitividade, a segurança alimentar, a sustentabilidade e a resiliência do setor agroalimentar.
Entre os exemplos apontados pela Comissão estão culturas mais resistentes à seca e às temperaturas extremas, métodos mais rápidos de deteção de doenças das plantas, formas mais sustentáveis de proteção das culturas e ferramentas digitais para uma utilização mais eficiente da água e de outros recursos.
Os dois novos quadros estratégicos deverão ser desenvolvidos no âmbito do Horizon Europe 2028-2034 e das componentes relevantes do futuro European Competitiveness Fund.
Próximo passo: AgRI 2040 em Bruxelas
A implementação da nova estratégia começa já amanhã com a EU AgRI 2040 Conference, que decorre em Bruxelas a 24 e 25 de setembro.
O encontro reunirá investigadores, agricultores, empresas, startups, PME, decisores políticos e outros intervenientes para discutir e ajudar a definir as futuras prioridades europeias de investigação e inovação para a agricultura, a silvicultura e as zonas rurais.
Entre os temas em discussão estarão as alterações climáticas e a biodiversidade, os solos e os agroecossistemas, os sistemas de produção vegetal, a bio economia, as cadeias de valor agroalimentares e a digitalização, inteligência artificial e robótica.
A nova estratégia representa, assim, uma tentativa da União Europeia de transformar a sua capacidade científica em soluções com aplicação concreta, reforçando a ligação entre investigação, inovação, biotecnologia, empresas e mercado.
Fonte: Comissão Europeia
O artigo foi publicado originalmente em CiB – Centro de Informação de Biotecnologia.














































