Doenças de conservação: Maçãs e Peras

Doenças de conservação: Maçãs e Peras

As doenças de conservação das pomóideas são causadas por diversos fungos.

Calcula-se que as podridões resultantes constituem cerca de 9/10 do total do risco de perdas em fim de conservação. As podridões de câmara são muito variáveis, conforme a origem geográfica da produção e as variedades a conservar.

Quase todos os prejuízos devidos ao ataque de fungos resultam de podridões que se desenvolvem mais ou menos cedo e mais ou menos rapidamente e cuja progressão é quase sempre centrífuga a partir do local de contaminação:

Os fungos que dão origem a doenças de conservação não têm todos a mesma importância económica. No Quadro 3 apresenta-se uma compilação dos fungos mais comuns.

Muitas podridões de conservação são devidas a fungos parasitas de ferimentos e vêm na fruta já do pomar. As espécies parasitas de ferimentos com origem no pomar mais importantes são Monilia fructigena e Botrytis cinerea. Outra das 3 espécies parasitas de ferimentos é Penicillium expansum, com origem em fruta podre e outros restos presentes nos locais de triagem/calibragem, nas embalagens e mesmo dentro das câmaras frigoríficas. Estas espécies de fungos originam as perdas mais importantes durante o processo de conservação.

A triagem e a pré-calibragem à entrada na câmara, permitem a eliminação de frutos deteriorados e com ferimentos, diminuindo assim os riscos de contaminação.

Outro tipo de fungos são parasitas latentes (lenticulares) e os seus sintomas na fruta só são visíveis após um período mais ou menos longo de latência na câmara.

As espécies de fungos parasitas do “olho” das maçãs e peras começam o seu desenvolvimento no pomar, por vezes muito cedo. As alterações visíveis são podridões secas de evolução muito lenta, que persistem durante a conservação, no decurso da qual evoluem e acabam por invadir toda a polpa do fruto. Os prejuízos mais importantes neste caso são devidos a Botrytis cinerea.

As podridões do coração aparecem apenas nas maçãs e têm origem em fungos que entram pelo “olho”. Esta contaminação pode dar-se no pomar, em qualquer momento da evolução do fruto, o que dificulta muito a aplicação de tratamentos preventivos racionais e eficazes.

Por vezes, frutos que amadurecem prematuramente evidenciam a contaminação por estes fungos.

As podridões pedunculares atingem quase só as peras, cujo pedúnculo espesso e carnudo facilita a instalação de fungos que a partir daí invadem a polpa do fruto.

A maioria dos tratamentos preventivos é dirigida aos parasitas lenticulares no pomar, antes da colheita. A luta contra os parasitas dos ferimentos nos frutos, passa por precauções a tomar na colheita, na calibragem e triagem e durante o período de conservação.

Tratamentos curativos de pós-colheita,podem ser feitos à entrada da câmara frigorífica, sobretudo contra podridões lenticulares.

O artigo foi publicado originalmente na Circular n.º 16 da Estação de Avisos de Entre Douro e Minho.

Comente este artigo
Anterior IVDP congratula-se com acordo histórico após 10 anos de negociações
Próximo Princípios da proteção contra a podridão cinzenta

Artigos relacionados

Últimas

Quinta dos Murças recebe certificação biológica

A Quinta dos Murças, no Douro, certificou toda a sua área em Produção Biológica. Em comunicado, o Esporão, […]

Nacional

Medidas de facto justas e eficazes para acudir aos prejuízos dos Incêndios rurais.

A seguir a pergunta feita ao Exmº Senhor Ministro da Agricultura pelo grupo : CNA-Confederação Nacional da Agricultura, a ADACO-Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra e a MAAVIM – Movimento Associativo de Apoio ás Vítimas dos Incêndios de Midões. […]

Últimas

Bagaço de azeitona: Situação de Fortes “pode multiplicar-se”

A Associação Ambiental dos Amigos das Fortes reagiu às notícias de que “produção de azeite pode parar no Alentejo”, uma vez que os “tanques das […]