A Liga dos Amigos do Douro Património Mundial apresenta no sábado um concurso escolar que quer envolver alunos do ensino básico e secundário na celebração dos 25 anos da classificação pela UNESCO que se assinalam em 2026.
O Alto Douro Vinhateiro (ADV) foi classificado pela UNESCO, a 14 de dezembro de 2001, como paisagem cultural, viva e evolutiva, abrangendo uma área de 24.600 hectares de 13 municípios.
O concurso escolar vai ser apresentado no sábado, na Quinta de Ventozelo, em São João da Pesqueira, distrito de Viseu.
António Fontaínhas Fernandes, presidente da Liga, disse hoje à Lusa que se pretende envolver os alunos num concurso escolar com o tema “Douro Laboratório de Sustentabilidade – 25 anos de Património Mundial”, que tem o apoio do BPI Fundação la Caixa.
Para o efeito, foram contactados os agrupamentos escolares dos concelhos que integram o ADV e pedida, a cada um, a indicação de dois professores que serão os “embaixadores” com a missão de dinamizar o concurso nos diferentes estabelecimentos.
A iniciativa vai ser desenvolvida em colaboração com a cátedra UNESCO da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), integra o programa oficial das comemorações e quer reforçar a ligação dos jovens ao território, promovendo o conhecimento, a valorização e a salvaguarda do Douro enquanto paisagem cultural evolutiva e viva
O concurso, salientou, vai desafiar os participantes a desenvolver trabalhos originais, em grupo, que abordem o património cultural, natural e humano da região, bem como os desafios da sua preservação futura.
Os projetos poderão assumir diferentes formatos, desde textos e ensaios a vídeos, conteúdos digitais ou expressões artísticas, devendo integrar uma perspetiva de sustentabilidade e alinhamento com os objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas.
Os trabalhos serão avaliados por um júri multidisciplinar, que integra representantes de entidades institucionais e especialistas nas áreas do património, educação e criação artística, sendo atribuídos prémios aos melhores projetos, bem como eventuais menções honrosas.
A entrega dos prémios decorrerá em sessão pública, em dezembro, integrada nas comemorações oficiais dos 25 anos do Alto Douro Vinhateiro.
Com esta iniciativa, a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial pretende mobilizar as comunidades educativas e incentivar “uma participação ativa das novas gerações na proteção e valorização deste território único, promovendo uma cultura de responsabilidade e continuidade na preservação de um património reconhecido à escala mundial”.
“As escolas são sempre um fator de mudança de uma região”, realçou Fontainhas Fernandes, sublinhando que se quer que os mais novos percebam o significado de viver numa área classificada que é preciso proteger.
E, acrescentou, a “preservação do Douro não cabe apenas à entidade gestora do bem, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), mas a todos os durienses, todos os que moram no Douro, todos aqueles que têm relações ao Douro”.
Questionado sobre os 25 anos da classificação, Fontaínhas Fernandes salientou que há estudos que “comprovam que teve um impacto importante, não só na autoestima dos durienses, mas também do ponto de vista económico”.
E, portanto, salientou que é preciso dar continuidade a esta marca e contribuir para “dar resposta àquilo que são alguns dos novos desafios do novo património mundial”.
O primeiro desafio é, concretizou, preservar “o bem”, a sua paisagem e o mosaico vitícola.
Acrescentou depois a crise que afeta a principal atividade económica da região, a produção de vinho, defendendo “soluções coletivas” para ajudar este motor económico da região, mas também a dinamização de outras áreas de negócio.
“Porque se não houver atividade económica é evidente que não teremos população e, portanto, os que cuidam diariamente do Douro têm que estar cá. Um dos principais problemas do Douro é a quebra demográfica”, frisou.














































