Como estão os agricultores a adaptar-se às limitações da Covid-19?

Como estão os agricultores a adaptar-se às limitações da Covid-19?

As empresas agrícolas estão a implantar medidas para protegerem todos os que trabalham no setor – e todos nós –, pondo em prática planos de contingência em estufas, centrais hortofrutícolas, vacarias, suiniculturas e nas explorações em geral, seguindo as indicações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Direção-Geral de Saúde (DGS).

“Cada organização tem o seu plano de contingência que segue as diretrizes da OMS e da DGS”, explica Domingos Santos, presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (FNOP). “Nas centrais foram criados, por exemplo dois turnos para não haver concentração de pessoas, não é permitida a entrada de transportadores ou outras pessoas externas, tratam-se de todos os assuntos com os associados por telefone, email, skype, etc. e os técnicos continuam a ir ao campo, mas não há qualquer contacto com os agricultores”.

Uma prática que a organização de produtores Torriba também está a implementar. O diretor, Gonçalo Escudeiro, salienta que “as empresas estão a implantar os seus planos de contingência e temos estado sempre em contacto com os produtores cuja grande preocupação é com tudo o que não depende de si, nomeadamente se irão ter os fatores de produção para continuarem a produzir alimentos, necessários a todos nós”.

Por seu lado, António Barão, que tem uma das maiores vacarias nacionais, bem como cabras de leite, destaca que “o principal problema tem sido a dificuldade em passar a mensagem aos nossos colaboradores”. O produtor refere que “já fizemos várias reuniões, entregámos um comunicado e afixámos todas as diretrizes e vamos vigiando para que tudo seja aplicado, pela saúde deles, das famílias e de todos nós”.

António Barão adianta que “a primeira medida que tomámos foi fechar o portão à entrada da propriedade e ninguém estranho entra”, acrescentando que “os motoristas que vêm buscar o leite têm de ter máscara e luvas e deixam os documentos num recipiente que colocámos à entrada. Para os colaboradores disponibilizamos luvas e há gel desinfetante, para minimizarmos a possibilidade de contágio e já estou a pensar enviar alguns para casa para que se algum adoecer possa ser substituído”.

Lojas da Biofrade encerram área de cafetaria e refeições

Já Vítor Gomes, gerente da BioFrade, que produz hortícolas biológicos e tem duas lojas de produtos biológicos, na Lourinhã e na Parede, explica à VIDA RURAL que “pusemos em marcha o plano de contingência. Nas lojas, só entram quatro ou cinco clientes de cada vez e encerrámos as áreas de cafetaria e refeições. No campo, não há muitas alterações em relação ao que já fazemos habitualmente, porque as pessoas andam normalmente distantes umas das outras e usam luvas”.

No armazém “as medidas foram todas as recomendadas pela OMS e DGS: criámos uma sala de isolamento para potenciais colaboradores doentes, não entra ninguém estranho, há gel desinfetante disponível e luvas e a funcionária da limpeza limpa, várias vezes ao dia, todas as maçanetas e botões de portas automáticas”.

Medidas igualmente aplicadas pela Lusomorango nas suas estufas e outras instalações dos 42 associados, bem como nas várias suiniculturas do País. “Temos estado em contacto com os associados e sabemos que estão a implementar os planos de contingência, mas para os ajudar elaborámos um manual de medidas de contenção do Covid-19 a aplicar em explorações suinícolas e que está disponível para download no nosso site [www.suinicultura.com]”, diz-nos João Bastos, secretário-geral da Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores (FPAS).

Também o presidente da Portugal Fresh salienta que “as empresas nossas associadas são muito profissionais e aplicaram já os seus planos de contingência, seguindo as indicações da OMS e DGS. Mas temos estado a falar com eles principalmente para os sensibilizar para o papel fundamental que este setor tem a desempenhar”.

Gonçalo Andrade frisa que “depois de assegurar a proteção da saúde dos colaboradores, temos de manter a atividade e garantir que os consumidores vão continuar a ter produtos frescos”, por isso, alerta: “este setor tem de ser considerado também prioritário”.

Uma ideia igualmente destacada por João Bastos, que referiu que a FPAS, na reunião de ontem (dia 16 de março) do Grupo de Acompanhamento e Avaliação das Condições de Abastecimento de Bens nos Setores Agroalimentar e do Retalho, criado pelo Ministério da Agricultura, “pediu que os colaboradores do setor agrícola pudessem também deixar os seus filhos nas escolas que estão abertas, para poderem continuar a trabalhar, assegurando a produção de alimentos”.

O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.

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