Cerca de 30 explorações leiteiras encerraram em 2020 no distrito de Aveiro

Cerca de 30 explorações leiteiras encerraram em 2020 no distrito de Aveiro

Em 2020 encerraram 30 explorações leiteiras no distrito de Aveiro devido aos problemas que a Agricultura Familiar enfrenta, agravados pela pandemia, informou hoje a União de Agricultores e Baldios do Distrito de Aveiro (UABDA), reclamando apoios para o setor.

Durante uma conferência de imprensa no Mercado Manuel Firmino, em Aveiro, o presidente da UABDA, Carlos Alves, disse que os agricultores “estão no fio da navalha”, adiantando que a pandemia de covid-19 “veio acentuar e trazer à tona da água os reais problemas que já se faziam sentir”.

“O consumo baixou, as pessoas têm receio, têm menos dinheiro no bolso, portanto, procuram o preço mais barato – não quer dizer que seja o melhor produto – e isto é quase uma bola de neve que se vai adensando”, referiu o dirigente.

A UABDA denunciou a “continuada situação de preços baixos na produção agrícola” que, aliada às dificuldades de escoamento e aos cada vez mais elevados custos dos fatores de produção, estão a obrigar os agricultores a abandonar a atividade.

Tomando como exemplo o setor do leite, aquele organismo refere que os preços “continuam em queda face ao mês e ao ano anterior e a níveis médios de há quase 20 anos”, adiantando que, em março, Portugal registou mesmo o preço mais baixo da União Europeia (29,9 cêntimos por quilo).

A União de Agricultores e Baldios do Distrito de Aveiro teme que esta situação possa levar à liquidação das já poucas explorações familiares existentes.

“No distrito de Aveiro, a preocupação é muito grande no setor leiteiro. No último ano, fecharam cerca de 30 explorações leiteiras”, disse o presidente da UABDA, afirmando ter conhecimento que em Arouca também fecharam duas explorações de produção de carne arouquesa.

Os agricultores protestam ainda contra aquilo que dizem ser a “ditadura” comercial da grande distribuição, defendendo que é preciso regular e fiscalizar a sua atividade.

“Os agricultores trabalham de sol a sol e os seus produtos não são devidamente valorizados e sofremos uma avalanche de produtos que vêm de fora e que não têm qualidade”, disse Carlos Alves, apelando ao Governo para que “preste realmente atenção, porque são os agricultores que estão também na linha da frente desta situação e que devem ser apoiados”.

O presidente da UABDA disse ainda esperar a participação de cerca de 80 pessoas do distrito de Aveiro na manifestação convocada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) que vai decorrer em Lisboa, no dia 14 de junho, em defesa de uma Política Agrícola Comum (PAC) mais justa e da concretização do Estatuto da Agricultura Familiar.

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