Autarca do Corvo nega despedimentos na ilha devido aos prejuízos

Autarca do Corvo nega despedimentos na ilha devido aos prejuízos

Ouvido na Comissão de Economia do parlamento açoriano, o presidente da Câmara do Corvo esclareceu que, até ao momento, tem havido constrangimentos no abastecimento à ilha do Corvo, mas que ainda não se pode avançar que há prejuízos, esclarecendo que não estão em causa despedimentos, como avançou o deputado único do PPM/Açores, Paulo Estêvão.

Há uma semana, Paulo Estêvão denunciou, durante o plenário na Assembleia Legislativa Regional, que as dificuldades no abastecimento da ilha podiam levar a um despedimento de oito trabalhadores de uma empresa de construção civil, número que considerou, na altura, “muito significativo” para uma ilha como o Corvo, onde residem apenas cerca de 460 pessoas.

José Manuel Silva esclareceu que a empresa José Carlos Silva, Unipessoal, continua a trabalhar e que “já tinha definido que a partir de dia 16 a empresa encerraria para férias de Natal”, tendo antecipado essas férias para dia 13.

O “atraso de material causou dificuldades, a empresa teve que se adaptar, mas, concretamente, em termos de prejuízos, não creio que isso tenha acontecido”, prosseguiu.

Para os restantes empresários da ilha, o cenário é semelhante, tendo o autarca socialista avançado que, para os comerciantes da ilha, “tudo o que estava atrasado ou em falta chegou num barco de maiores dimensões”, mas que estes terão uma quebra na faturação, já que houve alturas em que “as prateleiras estavam vazias”.

Também os constrangimentos no transporte de gado vivo não causaram, até ao momento, nenhum problema de maior aos agricultores da ilha, que ainda não tiveram de recorrer a alimentos alternativos às pastagens, mas essa necessidade “poderá surgir mais tarde”, durante o inverno.

Durante a passagem do furacão Lorenzo pelos Açores, no início de outubro, foram registadas 255 ocorrências e 53 pessoas tiveram de ser realojadas.

O furacão causou a destruição total do porto das Lajes das Flores, estimando-se que o prejuízo registado possa ascender, neste caso, a mais de 190 milhões de euros.

Os danos causados no porto comercial das Lajes das Flores, principal porta de entrada, por via marítima, de mercadoria do grupo ocidental, colocou dificuldades no abastecimento às ilhas das Flores e do Corvo.

No total, o mau tempo provocou prejuízos de cerca de 330 milhões de euros no arquipélago, segundo o Governo Regional dos Açores.

O artigo foi publicado originalmente em Açoriano Oriental.

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