A Olivum considerou hoje positivo o acordo comercial assinado entre a União Europeia (EU) e a Índia, “um mercado com potencial” e “espaço para promover consumo do azeite”, realçou um responsável da associação.
Em declarações à agência Lusa, Gonçalo Moreira, gestor de projetos da Olivum – Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, com sede em Beja, argumentou que um acordo que consiga melhores condições para o setor “é sempre positivo”.
“Principalmente um acordo [como este] em que o azeite ficará com uma taxa zero” realçou, lembrando que a Índia é, ainda por cima o país “mais populoso do mundo e a quarta economia mundial”.
“É sempre um mercado com potencial e que parece ser interessante”, sublinhou, admitindo tratar-se de um país no qual “o consumo de azeite não tem ainda muita expressão, pelo menos por agora”, o que, ao invés de desanimar, pode constituir um desafio.
De acordo com Gonçalo Moreira, os produtores nacionais e as associações do setor podem “trabalhar esse mercado” e “promover o consumo do azeite” português.
“Temos ligações históricas com a Índia e isso é sempre positivo e, além disso, é sempre bom termos mais um mercado aberto, com taxas zero, porque abre-se uma oportunidade ao mercado português e temos que fazer nossa promoção e o nosso trabalho”, reforçou.
O mesmo responsável da Olivum realçou ainda que existe na Índia “um nicho de mercado com dimensão que terá poder de compra para poder adquirir azeite”, mas a intenção da Olivum é fazer com que este produto seja “o mais democrático e consumido possível”.
“É um país com uma dimensão de população muito interessante, com um número de potenciais consumidores muito interessante” e que interessa a Portugal, cujo setor de produção olivícola “está a crescer”, disse.
Atualmente, Portugal tem “à volta de 380 mil hectares de olival, mas, nos próximos três a cinco anos, vamos ter aumento significativo da produção”, graças à “entrada em produção de novos olivais e outros olivais que já eram modernos e que agora foram reconvertidos em sebe”.
Este ano, há um ligeiro decréscimo da produção “na ordem dos 20%”, mas a tendência em Portugal “é o crescimento do olival”, pelo que novos mercados “são bem-vindos”, enfatizou o gestor da Olivum, associação que representa mais de 53.000 hectares de olival no país, 21 lagares e cerca de 70% da produção nacional de azeite.
O acordo hoje assinado entre a UE e a Índia prevê uma descida das tarifas sobre a importação daquele produto dos atuais 45% para 0% no prazo de cinco anos.
Em 2024, o principal destino das exportações de azeite nacional foi Espanha, com 56% do total, seguindo-se o Brasil, Itália, França e Estados Unidos.
Portugal é o quinto maior exportador de azeite do mundo.
A UE e a Índia concluíram hoje um acordo comercial considerado “histórico” por ambas as partes, que deverá permitir duplicar as exportações europeias de bens até 2032.
A UE é atualmente o maior parceiro comercial da Índia, tendo as trocas bilaterais atingido, em 2024, 120 mil milhões de euros.















































