Arouca quer solução “a nível nacional” para as matilhas de cães abandonados que atacam ovelhas e cabras dos agricultores

Arouca quer solução “a nível nacional” para as matilhas de cães abandonados que atacam ovelhas e cabras dos agricultores

A Câmara Municipal de Arouca reconheceu hoje que só “uma resposta concertada a nível nacional” permitirá eliminar as matilhas errantes que vêm atacando gado de pequeno porte naquele concelho do distrito de Aveiro.

As preocupações da autarquia prendem-se com recentes ataques de cães errantes a ovelhas e cabras de agricultores instalados nas zonas menos povoadas desse concelho de 329 quilómetros quadrados.

A presidente da Câmara de Arouca, Margarida Belém, atribui a situação à legislação, que impede o abate de animais, e ao esgotamento da capacidade de acolhimento do Canil Intermunicipal das Terras de Santa Maria – que serve esse município e também os de Espinho, Oliveira de Azeméis, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Vale de Cambra.

“A questão é problemática. Temos efetivamente um problema em mãos e o canil intermunicipal, mesmo com a ampliação que vai ser feita, não vai dar resposta a esta situação. Tem de ser concertada uma resposta a nível nacional porque isto não é um problema só de Arouca”, declara à Lusa.

Fonte do Canil intermunicipal das Terras de Santa Maria revela que, em 2019, acolheu 40 animais errantes recolhidos em Arouca, mas fonte da autarquia diz que o número real de cães abandonados no concelho poderá ser maior, dado que é difícil localizá-los num território que é vasto e predominantemente florestal.

“O regulamento municipal para esterilização de canídeos e gatídeos está a aguardar publicação, mas irá colmatar apenas uma pequena parte do problema”, admite Margarida Belém.

Os ataques por matilhas errantes têm sido mais denunciados na freguesia de Escariz, onde já foram atacadas dezenas de animais domésticos de pequeno porte, estando registada pelas autoridades policiais, só nas últimas duas semanas, uma morte e vários ferimentos de diferentes graus de gravidade.

Manuel Guedes é um dos agricultores afetados pela perda de animais que cria para consumo doméstico e diz à Lusa: “Uma ovelha foi comida, uma cabra ficou sem uma coxa e eu não sei onde é que isto vai parar. Cada vez são mais cães juntos e vão-se aproximando mais das casas. Com a fome que passam, um dia destes começam a atacar pessoas”.

Numa das primeiras investidas a gado pequeno, a matilha entrou nos terrenos agrícolas por uma abertura na cerca de rede, mas entretanto os ataques vêm-se verificando sem que seja identificado o local de acesso às propriedades.

“A GNR ainda os tentou apanhar, mas eles fogem pelos campos e nunca mais ninguém os vê”, observa Manuel Guedes.

Subsídios para ressarcimento de prejuízos também não há: “O médico veterinário diz que não há apoios nenhuns para me compensar dos animais que me matarem. Se um dia destes me matarem as ovelhas todas, o que é que eu faço?”

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