Arouca é primeiro concelho do país com certificação em serviços para ecossistemas

Arouca é primeiro concelho do país com certificação em serviços para ecossistemas

Arouca torna-se, no sábado, “no primeiro município do país e um dos 24 primeiros do mundo” a obter certificação pelos seus serviços de gestão de ecossistemas florestais, anunciou a autarquia, depois de quantificados os seus procedimentos nessa área.

A certificação é atribuída pela organização internacional Forest Stewardship Council (FSC) com base numa avaliação da empresa portuguesa 2BForest, que reconheceu à gestão de 145 hectares do referido município do distrito de Aveiro a capacidade de garantirem uma conservação florestal consentânea com a obtenção de rendimentos para os respetivos donos.

A extensão avaliada corresponde a 1,45 quilómetros quadrados dos mais de 329 que constituem o concelho e tem por base terrenos de apenas três proprietários, mas a certificação demonstra que as práticas aí adotadas cumprem os objetivos do programa de avaliação “Millenium Ecosystems Assessments 2015” das Nações Unidas e os requisitos da Estratégia Nacional de Conservação da Natureza e Biodiversidade.

Para Margarida Belém, presidente da Câmara de Arouca, isso significa que essa gestão consciente pode ser replicada em todo o município, onde 85% do território é área florestal e o que predomina é a propriedade privada.

“Com as alterações climáticas na ordem do dia e uma cada vez mais premente necessidade de se assegurar um ordenamento florestal que contribua para mitigar essas mudanças e que aumente a nossa resiliência aos incêndios florestais, é fundamental adotarem-se estratégias inovadoras que concorram para a construção de uma nova floresta”, defendeu a autarca.

Admitindo “um enorme orgulho” por ver Arouca entre “as primeiras 24 regiões do mundo certificadas em termos de serviços de ecossistema”, a presidente da Câmara acrescenta: “Esperamos que esta certificação se traduza em valor acrescentado para o território e para os proprietários privados que, contribuindo para a construção de uma floresta mais sustentável, possam ver ressarcido o investimento efetuado”.

A certificação em causa foi obtida de acordo com o Procedimento FSC-PRO-30-006 Ecosystem Services e implica auditorias regulares aos territórios avaliados, para garantia de que as práticas adotadas geram retorno económico e garantem uma melhor conservação do património natural e cultural da região.

Entre os aspetos que contribuíram para que Arouca se destacasse como uma das primeiras 24 regiões do mundo a beneficiar do novo selo de qualidade da FSC incluem-se, segundo a 2BForest, operações como “a limpeza de matos, o controlo de invasoras lenhosas e a criação de povoamentos de folhosas autóctones, com espécies de menor combustibilidade”.

As mudanças de gestão nos 145 hectares já auditados em Arouca demonstram, por exemplo, que essa área evidencia maiores níveis de “proteção da floresta contra incêndios”, uma estratégia de “substituição gradual de espécies exóticas” e a possibilidade de, em terrenos sem capacidade de produção de bens comercializáveis, se proceder à sua “valorização através do reconhecimento dos serviços aí prestados”.

A postura sustentável visada pela nova certificação também ficou demonstrada com particular evidência em cerca de 26 hectares de florestas ripícolas do Rio Paiva, inseridas na Rede Natura 2000 e no corredor ecológico definido como prioritário pela Diretiva de Habitats.

O mesmo aconteceu com a constatação de que a área auditada apresenta “mais de 90 espécies de flora, com presença de endémicas raras e com proteção legal em Portugal”.

Quanto às emissões atmosféricas, entre os 145 hectares avaliados verificou-se que 109,66 estão a ser sujeitos à substituição de áreas de eucalipto por espécies autóctones e que 130 conseguem restaurar os ‘stocks’ de carbono.

A certificação da FSC pretende agora que os investidores do setor florestal se possam “associar a um processo transparente e credível de promoção da sustentabilidade”, o que para a 2BForest é tão mais relevante quanto se considerar que “a floresta tem tido um papel fulcral na imagem externa” de Portugal, com um setor florestal “altamente competitivo, que contribui positivamente para o equilíbrio das contas externas nacionais”.

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