Águia-imperial-ibérica poderá estar de regresso ao território transmontano

Águia-imperial-ibérica poderá estar de regresso ao território transmontano

A águia-imperial-ibérica poderá estar de regresso a Trás-os-Montes, depois de o sistema de foto armadilhagem instalado no Douro Internacional ter registado esta espécie pela segunda vez num período de dois anos, revelou hoje a associação Palombar.

“Nos últimos 20 anos tem havido um esforço por parte das organizações de conservação da natureza no território nacional” para um aumento do efetivo da águia-imperial-ibérica neste território, “onde os movimentos dispersivos tendem fazer um regresso desta espécie à sua área de nidificação histórica que é toda a península ibérica”, disse hoje à Lusa José Pereira, biólogo da associação.

As recolhas destas imagens foram feitas no Parque Natural de Douro Internacional (PNDI) em 2018, no concelho de Miranda do Douro, e mais recentemente no final de abril, no concelho Mogadouro, no Campo de Alimentação de Aves Necrófagas (CAAN), instalado nas proximidades da aldeia de Bruçó.

“Atualmente, esta espécie está restrita como nidificante em Portugal e em Espanha, constituindo por isso um endemismo da Península Ibérica e é uma das aves de rapina mais ameaçadas da Europa, estando igualmente entre as mais raras a nível mundial, tendo um estatuto e conservação ‘Criticamente em Perigo’ em Portugal”, indicou o especialista em avifauna.

Este é o segundo registo que a Palombar, uma Organização Não Governamental (ONG) que se dedica entre outros ao estudo das aves rupícolas, faz no PNDI.

Trata-se de um indivíduo imaturo de águia-imperial-ibérica que foi registado no Nordeste Transmontano, “região onde atualmente não existem casais reprodutores de águia-imperial-ibérica”, acrescenta a Palombar.

O primeiro registo ocorreu no dia 04 de setembro de 2018 num CAAN gerido pela Palombar, no concelho de Miranda do Douro, localizado no PNDI.

“O avistamento de indivíduos desta espécie é muito raro tão a norte do país. Tratando-se de uma águia-imperial-ibérica imatura, o mais provável é que esteja em dispersão e a estabelecer o seu território, o que poderá ser um sinal do seu possível retorno a esta região do país, que a espécie já ocupou no passado”, indicou José Pereira.

Segundo os investigadores da avifauna, no PNDI os dois registos efetuados pelo sistema de foto armadilhagem da Palombar ocorreram em CAAN e demonstram “o papel fundamental” destes campos de alimentação para a conservação de espécies estritamente ou parcialmente necrófagas com estatuto de conservação muito desfavorável, como é o caso desta rapina ibérica, “sobretudo para os indivíduos imaturos”.

Nos finais da década de 70 e inícios dos anos 80, a população reprodutora da espécie águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) desapareceu em Portugal e a nidificação só voltou a ser confirmada em 2003 na região do Tejo Internacional.

Não opinião do biólogo da Palombar, estes avistamentos são também reveladores do amplo impacto que o projeto Life Rupis tem tido desde que começou a ser implementado, em 2015, na preservação de várias aves de rapina e necrófagas ameaçadas não só na Península Ibérica, como também na Europa.

O projeto Life Rupis, lançado há cerca de cinco anos por nove entidades ibéricas ligadas à conservação da natureza no Douro Internacional, apresenta resultados “positivos”, nomeadamente no reforço da população de aves como a águia-perdigueira e o britango.

O projeto está dotado com um financiamento de 3,5 milhões de euros, comparticipado a 75% pelo programa LIFE da União Europeia e cabendo os restantes 25% aos nove parceiros envolvidos.

Os parceiros envolvidos neste projeto são a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), Associação Transumância e Natureza, Palombar, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, Junta de Castilla y León, Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, Vulture Conservation Foundation, EDP Distribuição e GNR.


O artigo foi publicado originalmente em Sábado.

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