Agricultores de Portalegre com “medo” de semear devido aos preços dos combustíveis

Agricultores de Portalegre com “medo” de semear devido aos preços dos combustíveis

A presidente da Associação dos Agricultores do Distrito de Portalegre (AADP), Fermelinda Carvalho, alertou hoje que o setor tem “medo” de produzir devido ao aumento “dramático e frequente” do preço dos combustíveis.

“Nós estamos numa altura de sementeiras, os tratores e todas as máquinas trabalham a gasóleo e acaba por ser um valor incomportável para os agricultores. Os agricultores têm medo de fazer um hectare hoje de cereais com este preço a que o gasóleo está”, disse.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da AADP alertou ainda que o sucessivo aumento do preço dos combustíveis está também a contribuir para a “escassez” de cereais que se está a verificar a nível mundial.

“Especialmente as sementes certificadas, estão com preços também incomportáveis”, acrescentou.

Para Fermelinda Carvalho, este ano agrícola está a passar por “um azar tremendo”, devido à subida dos preços não só dos combustíveis e dos cereais, mas também pelos valores cobrados na eletricidade e dos adubos que são aplicados nas terras.

“Todos estes fatores de produção extremamente caros levam a que muitos agricultores tenham já decidido não semear ou semear menos”, disse.

A presidente da AADP lançou ainda um apelo ao Governo, no sentido “abdicar um bocadinho” da “enorme” margem de lucro nos impostos relacionados com os combustíveis.

“Nós não temos qualquer resposta por parte do ministério, aliás, o Ministério da Agricultura, neste Governo, tem perdido toda a importância, todo o protagonismo, muitas matérias passaram para a alçada do Ministério do Ambiente”, lamentou.

Fermelinda Carvalho sublinhou que “há um grande descontentamento” do setor agrícola com o Governo, acrescentando ainda que os agricultores se sentem “desrespeitados” nesta altura.

“Quando nós vemos aqui ao lado, Espanha, ou vemos França, especialmente até mais França que apoia sempre muito o seu setor agrícola, em Portugal, especialmente nestes últimos tempos, o setor agrícola sente-se totalmente desrespeitado”, lamentou.

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