Acréscimo manifesta “preocupações” na transferência do pelouro da Floresta para Ministério do Ambiente

A direcção da Acréscimo – Associação de Promoção ao Investimento Florestal manifesta “preocupações” na transferência do pelouro da Floresta para Ministério do Ambiente.

“A transferência do pelouro das florestas para o Ministério do Ambiente e, agora, da Acção Climática suscita preocupações quanto à interligação da política agrícola com a política florestal, em concreto no que respeita à promoção de sistemas agroflorestais, essenciais na adaptação às alterações climáticas”, afirma a direcção da Acréscimo.

Por outro lado, aqueles produtores florestais dizem que a acumulação do pelouro das Florestas e da Energia no Ministério da Ambiente e Acção Climática “suscita enorme preocupação, sobretudo quando se perspectiva a reconversão das actuais centrais a carvão (Pego e Sines) para a produção de electricidade a partir da queima de árvores, com a necessidade de culturas energéticas, produzidas em extensas áreas de monoculturas intensivas e super-intensivas”.

Lei de bases da Politica Florestal

Para a Acréscimo esta situação “causa ainda preocupação face ao histórico da última legislatura em matéria de política de Conservação da Natureza”.

Assim, aquela Associação “irá acompanhar os novos desenvolvimentos em matéria de política florestal, tendo por base a letra expressa na Lei de Bases da Politica Florestal (Lei n.º 33/96, de 17 de Agosto), em concreto dos seus princípios e objectivos, apesar de sistematicamente violados”.

Alterações climáticas e floresta

Segundo a direcção da Acréscimo, são “muitos os especialistas e instituições nacionais, europeias e internacionais, com destaque para as Nações Unidas, a defender a importância dos sistemas agroflorestais na adaptação às alterações climáticas, no combate ao despovoamento e ao avanço da desertificação”.

“Uma estreita ligação entre as culturas agrícolas, a pastorícia e as culturas arbóreas, seja para a produção de madeira e resina, cortiça ou frutos secos, é fundamental para a conservação dos solos, a regularização dos regimes hídricos, a melhoria da biodiversidade e o fomento do emprego em meio rural. O fomento do emprego ocorre através da compatibilização entre os rendimentos de curto prazo, mais associados à agricultura e pastorícia, com os de médio e longo prazo, associados às culturas florestais”, acrescentam os responsáveis pela Associação.

E realçam que os sistemas agroflorestais “serão essenciais para a recuperação do coberto arbóreo no país e na fixação de populações no interior. Como irá decorrer essa interligação entre dois Ministérios, sobretudo no que respeita à gestão de fundos públicos, em especial os oriundos da União Europeia?”.

Agricultura e Mar Actual

O artigo foi publicado originalmente em Agricultura e Mar.

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