A União Europeia poderá tornar-se importadora líquida de cereais até 2030

A União Europeia poderá tornar-se importadora líquida de cereais até 2030

COCERAL apresentou os principais resultados de um estudo independente, baseado na investigação de campo e na entrevista de peritos, estimando o impacto dos objetivos relevantes das Estratégias “Do Prado ao Prato” e da Biodiversidade da UE na produção de culturas da UE num webinar público em 23 de junho de 2021.

A principal conclusão é que podemos assistir a uma redução significativa na produção de trigo, milho e colza até 2030, num cenário de “médio” impacto, o que levaria a um agravamento do abastecimento, com a UE a tornar-se um importador líquido de cereais até 2030, como consequência da redução de pesticidas, redução de fertilizantes, perdas de nutrientes, produção biológica e retirada de terras.

Utilizando como referência a perspetiva do mercado de base 2030 publicada pela DG AGRI, foram estudados 4 cenários diferentes que vão desde impactos baixos e médios a impactos severos e extremos.

O estudo aponta para uma redução de quase 20 milhões de toneladas de trigo, 6 milhões de toneladas de milho e 45 milhões de toneladas de colza no cenário de médio impacto. Só a produção de soja da UE poderia registar um aumento moderado de 3,5 para 3,9 milhões de toneladas neste cenário, com a produção de girassol a sofrer uma diminuição ligeira.

Em qualquer dos cenários, a UE tornar-se-ia um importador líquido de cereais. Por outro lado, prevê-se a necessidade de uma importação para a UE de 10 milhões de toneladas de colza até 2030 para compensar a escassez de alimentos para animais.

A COCERAL concluiu ainda que os objetivos das Estratégias “Do Prado ao Prato” e Biodiversidade, se plenamente implementados, conduzirão ainda a riscos desnecessários, quer no mercado interno, quer nos principais destinos especializados no Norte de África que dependem destas importações para a sua segurança alimentar. Nesta perspetiva, os investimentos significativos na indústria agroalimentar estarão em risco.

Como resultado da perda do seu estatuto exportador, a volatilidade do mercado aumentará ainda mais devido a um número mais restrito de exportadores-chave de cereais no mercado mundial.

Trata-se de mais um estudo que chama a atenção para a redução das produções europeias, maior dependência e perda de competitividade, o que significa que as Estratégias da Comissão têm de ser implementadas com as devidas cautelas e tendo em conta o papel da União Europeia no mercado interno e mundial.

E para a necessidade de se fazer um estudo de impacto conjunto das propostas, que a Comissão tem vindo a recusar.

O artigo foi publicado originalmente em IACA.

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