Nem todas as culturas apresentam o mesmo perfil de risco enquanto investimento. Um inquérito realizado pela CBRE junto da sua base de clientes e investidores revela que o olival e o abacate são atualmente as culturas mais atrativas. Já nos frutos secos, em particular na amêndoa e no pistácio, as opiniões dividem-se, sendo esta última a assumir maior expressão em Espanha.
Num setor tão diversificado como a agricultura, identificar quais as culturas mais atrativas e com menor perfil de risco nem sempre é uma tarefa fácil. De acordo com o mesmo inquérito da CBRE, quando questionados sobre ‘quais as culturas que acreditam ser o melhor investimento quando plantadas hoje, e com uma visão a 5/10 anos’ os investidores apontam maioritariamente para o olival e o abacate.
“Estas são as culturas que chamam mais atenção, efetivamente, e depois há opiniões divididas na amêndoa e no pistacho, por exemplo, que é uma cultura mais relevante em Espanha. É verdade que temos visto também muito movimento nos citrinos, por uma questão de escala. Mas as opiniões estão muito divididas”, frisa Manuel Albuquerque.
Em comum, estas culturas requerem montantes de investimento que justificam a entrada de capital institucional. Já as culturas anuais, como os cereais, por exemplo, não são atrativas para este tipo de investimento institucional: “As culturas permanentes sim, porque exigem um investimento muito maior, não só na plantação, mas também nos primeiros anos em que ainda não estão em produção de cruzeiro. E também é nestas culturas que a tecnologia e uma presença global podem fazer muita diferença”, acrescenta.
Perfis de longo prazo
Entre as culturas permanentes que despertam maior interesse incluem-se, para além do olival, do abacate, do amendoal e dos citrinos, segmentos mais especializados de fruta fresca como os berries ou kiwis. Mas também há exceções nas culturas anuais, nomeadamente os melões e as melancias, mercados que começam igualmente a captar a atenção de investidores institucionais. Em última análise, o foco dos investidores reside na capacidade de diferenciação e criação de valor, e não numa lógica de commodity.
A relevância está sempre no investimento de longo prazo. Como explica Manuel Albuquerque, “Este negócio não está feito para investidores de curto prazo, que têm uma janela de saída fixa, por exemplo, de cinco anos. Se um investidor tem de sair a cinco anos, há um risco relevante de estar num ciclo menos bom e de o investimento não correr bem. Estes investimentos são mais atrativos para perfis de longo prazo, daí os fundos de pensões ou family offices que, no fundo, pensam em preservar capital a longo prazo, de décadas ou até mesmo perpétuo”, frisa.
E no segmento agroindustrial? Também aqui se observa um interesse, sobretudo entre operadores de fruta fresca, para os quais ter uma presença global constitui uma vantagem competitiva relevante e permite canalizar a produção através de canais de distribuição únicos. Neste contexto, a integração vertical é uma tendência muito relevante neste tipo de investimentos.
O artigo foi publicado originalmente em Vida Rural.















































