Rune Abrahamsen, engenheiro responsável pelo edifício de madeira que chegou a ser o mais alto do mundo, será consultor executivo da portuguesa CarmoForm, em exclusivo para a Península Ibérica. Congresso internacional reuniu cerca de 400 participantes de várias nacionalidades ontem em Lisboa e segue para Madrid a 29 de outubro.
A CarmoForm acaba de anunciar uma parceria estratégica exclusiva com Rune Abrahamsen, uma das referências internacionais da engenharia em madeira, durante a primeira edição do Wood Giants, congresso internacional que reuniu hoje cerca de 400 participantes de várias nacionalidades, no Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), em Lisboa. O acordo, válido até ao final de 2030, reforça a estratégia de crescimento da empresa portuguesa na Península Ibérica e marca o ponto alto deste encontro que colocou em debate a construção em madeira como resposta aos desafios da habitação, da industrialização e da descarbonização do setor.
Com mais de 30 anos de experiência, Rune Abrahamsen liderou a equipa responsável pelas estruturas em madeira do Mjøstårnet, edifício norueguês de 18 pisos que, quando foi concluído, em 2019, era o mais alto do mundo construído neste material. No âmbito da parceria com a CarmoForm, Rune assumirá funções de consultor executivo da empresa nacional para projetos em Portugal e Espanha, prestando aconselhamento estratégico, técnico e comercial, sobretudo nas fases iniciais de desenvolvimento.
Construção em madeira: da inovação à escala industrial
Promovido pela CarmoForm, o Wood Giants reuniu especialistas internacionais ligados a projetos de referência na Europa, demonstrando que a construção em madeira ultrapassou a fase experimental e dispõe hoje de soluções técnicas para responder a diferentes escalas e tipologias de edifícios.
A abertura contou com a participação de Patrícia Gonçalves Costa, Secretária de Estado da Habitação, que destacou a urgência de construir mais, mais depressa e melhor, defendendo a industrialização, o planeamento e a utilização eficiente dos materiais como caminhos para responder às necessidades habitacionais do país.
Ao longo do congresso, Rune Abrahamsen apresentou a experiência do Mjøstårnet, defendendo a importância da ambição dos promotores, da colaboração entre os diferentes intervenientes e do envolvimento dos decisores políticos para concretizar projetos pioneiros. Já Florian Kosche, engenheiro responsável pelo desenvolvimento estrutural do Sara Kulturhus, na Suécia, demonstrou como a engenharia em madeira permite executar edifícios de grande complexidade, como este projeto de 20 pisos, enfrentando exigências estruturais e condições climáticas extremas.
A dimensão económica e ambiental esteve igualmente no centro do debate. Bernhard Egert, responsável pela área de construção em madeira e edifícios sustentáveis da UBM Development, apresentou a perspetiva do investimento imobiliário, recorrendo à experiência do LeopoldQuartier, em Viena. Defendeu que o maior potencial de transformação do setor não está apenas nos edifícios emblemáticos de grande altura, mas sobretudo na generalização da construção em madeira em edifícios de média altura, nomeadamente de seis pisos, onde existe maior escala de mercado e capacidade de redução das emissões.
Por sua vez, Pablo van der Lugt, especialista em materiais de base biológica, destacou o papel da madeira na descarbonização das cidades, sublinhando a importância das políticas públicas, da gestão florestal responsável e da economia circular. Entre os exemplos apresentados esteve o Stockholm Wood City, desenvolvimento urbano previsto para a Suécia, com cerca de 250 mil metros quadrados, 2.000 habitações e capacidade para acolher 7.000 postos de trabalho.
Um dos exemplos mais expressivos das vantagens construtivas e comerciais da madeira foi apresentado pelo arquiteto britânico Andrew Waugh, fundador do atelier Waugh Thistleton Architects. O seu Black & White Building, em Londres, viu a estrutura em madeira ser montada em apenas 14 semanas e, segundo o arquiteto, regista atualmente uma lista de espera de 18 meses para novos inquilinos nos seus espaços de coworking. Waugh alertou para o atraso da construção face a outros setores na redução do impacto ambiental e defendeu a responsabilidade de arquitetos e engenheiros na escolha dos materiais, bem como a investigação e a partilha aberta de conhecimento para acelerar a transformação da indústria.
A arquiteta portuguesa Vanda Oliveira, da Henning Larsen, apresentou o World of Volvo, em Gotemburgo, destacando a importância da colaboração contínua entre arquitetos, engenheiros, construtores e restantes intervenientes. A experiência deste projeto demonstrou como a integração de diferentes especialidades, desde a conceção à execução, é determinante para concretizar soluções arquitetónicas inovadoras e tecnicamente exigentes.
Cerca de 400 participantes e uma ambição ibérica
Para João Figueiredo, CEO da CarmoForm, a adesão ao congresso, que superou as expectativas da organização, confirma a necessidade de aproximar o conhecimento internacional dos profissionais e decisores do mercado ibérico.
“O Wood Giants superou todas as nossas expectativas. Reunimos cerca de 400 participantes de várias nacionalidades, numa demonstração clara da enorme vontade que existe no mercado de encontrar respostas, conhecer novas soluções e desmistificar preconceitos que ainda condicionam a construção em madeira. É particularmente gratificante ver uma empresa 100% portuguesa ter a coragem de trazer este debate para o espaço público, reunindo profissionais, empresas e até concorrentes num mesmo espaço, para aprender com quem, noutros mercados, há muito deixou de questionar a madeira como solução construtiva e está já a explorar todo o seu potencial. Queremos contribuir para uma mudança efetiva na forma como se constrói na Península Ibérica e este primeiro encontro demonstrou que o setor está disponível para essa transformação”, afirma.
O sucesso da primeira edição reforça a ambição da CarmoForm de posicionar o Wood Giants como uma plataforma ibérica de partilha de conhecimento e de aproximação entre engenharia, arquitetura, construção, investimento e decisores públicos.
Depois de Lisboa, o Wood Giants ruma a Madrid, a 29 de outubro, onde terá lugar a segunda edição do congresso, no IETcc-CSIC – Instituto de Ciencias de la Construcción Eduardo Torroja, dando continuidade ao debate sobre o futuro da construção em madeira na Península Ibérica.
Fonte: CarmoForm















































