Não é a região com mais área florestal em Portugal, mas é no Norte que se concentra a maior parte do emprego relacionado com a floresta. Nesta região localizam-se perto de 40% das empresas e trabalham mais de metade das pessoas que em todo o país estão ao serviço das atividades silvícolas e das indústrias de base florestal.
Do total de empresas dedicadas à silvicultura, à exploração florestal e à transformação de madeira e cortiça em Portugal, a maioria encontra-se no Norte e no Centro e é nestas duas regiões que se concentra também a maior parte do emprego relacionado com a floresta. Juntas, agregam 62% das empresas e 77% do emprego. O Norte toma a dianteira em ambos os indicadores.
Os dados mais recentes disponibilizados pelo INE – Instituto Nacional de Estatística referem-se a 2024 e dizem respeito às atividades indexadas à silvicultura e exploração florestal (incluindo os serviços que as apoiam) e às principais indústrias de base florestal: transformação de madeira, transformação de cortiça, produção de pasta, papel e cartão e fabrico de mobiliário (exceto colchões). Ainda assim, ficam de fora múltiplas atividades, desde a caça aos serviços ambientais e de turismo.
Globalmente, os dados do INE dão a conhecer que estas áreas de atividade congregam 18250 empresas, que têm ao seu serviço 98227 pessoas e que estão na origem de importantes dinâmicas socioeconómicas, em especial a norte do Tejo. A nível nacional são as indústrias de base florestal que trazem os principais contributos: quase 10 mil empresas e perto de 80 mil pessoas ao serviço, o que equivale a cerca de 11% do total de pessoas ao serviço da indústria transformadora em Portugal, em 2024.
Retrato das empresas e emprego no Norte
As mais de sete mil empresas silvícolas e da indústria de base florestal do Norte tinham ao serviço em 2024 quase 51 mil pessoas, quase metade do total nacional, que ultrapassava as 96 mil.
As indústrias do mobiliário e as da madeira e cortiça são as mais representativas no Norte e perfazem 75% das empresas da região. São elas também as principais criadoras de emprego relacionado com a floresta: juntas, concentram mais de 80% do emprego a Norte, com cerca de 40,6 mil pessoas ao serviço.
O restante divide-se pela indústria da pasta, papel e cartão que, com 311 empresas, emprega cerca de 6,6 mil pessoas; e pela silvicultura, com quase 1500 empresas e um contributo mais modesto ao emprego, de perto de 3,8 mil pessoas ao serviço.
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Num olhar sobre as diferentes sub-regiões a Norte (NUTS 3 ou entidades administrativas), a Área Metropolitana do Porto é a que mais contribui para o emprego relacionado com a floresta, com mais de 28 mil pessoas ao serviço (cerca de 55%). Também aqui são as indústrias da madeira e cortiça e as do mobiliário que empregam mais pessoas. Contudo, esta zona lidera não apenas no emprego industrial, mas também no das atividades silvícolas.
Os contributos seguintes em termos de postos de trabalho localizam-se nas zonas fronteiras à Área Metropolitana do Porto: Tâmega e Sousa (21%), Ave (7%) e Cávado (8%).
Com mais de 7 mil empresas e quase 51 mil pessoas ao serviço, a região Norte concentra 39% do número total das empresas e 53% do emprego relacionado com a floresta. Estes números tornam-se ainda mais relevantes se tivermos em conta que a área florestal da região representa 18% do total nacional, perfazendo cerca de 585 mil hectares, muito menos do que no Centro e no Alentejo, de acordo com o IFN6 – Inventário Florestal Nacional.
Pessoas ao serviço e empresas (%) silvícolas e da indústria de base florestal nas sub-regiões Norte

Fonte: INE – Pessoal ao Serviço (N.º) das empresas por localização geográfica (NUTS – 2024) e atividade económica (Subclasse CAE Rev.3) Anual; Empresas (N.º) por localização geográfica (NUTS – 2024) e atividade económica (Subclasse CAE Rev.3) Anual. Dados arredondados. Algumas sub-regiões não têm indicados os dados de emprego.
Centro dá segundo maior contributo ao emprego relacionado com a floresta
O Centro é a segunda principal região em número de empresas na silvicultura e indústria de base florestal – mais de 4 mil, ou 23% do total nacional – e estas empresas têm quase 23 mil pessoas ao serviço, cerca de 24% do total do emprego relacionado com a floresta no nosso país.
Relativamente às sub-regiões com maior número de empresas, é Coimbra que detém o maior número de empresas – 28% do total do Centro –, seguida por Aveiro e Leiria, ambas com 18%.
Quanto às atividades predominantes no Centro, mais de metade (59%) das empresas dedicam-se à silvicultura, exploração florestal e aos serviços que apoiam estas atividades, área onde se integram também a extração de cortiça, resina e de outros produtos florestais.
A grande maioria das empresas silvícolas está localizada em Coimbra (831), seguindo-se a Beira Baixa, com mais de 400 empresas silvícolas. Apesar de muito expressiva em número de empresas, o número de empregos é um pouco mais modesto: 5591 pessoas (24%).
Pessoas ao serviço e empresas (%) silvícolas e da indústria de base florestal no Centro
Região Centro: retrato do emprego (%) relacionado com a floresta 2024

Fonte: INE – Pessoal ao Serviço (N.º) das empresas por localização geográfica (NUTS – 2024) e atividade económica (Subclasse CAE Rev.3) Anual; Empresas (N.º) por localização geográfica (NUTS – 2024) e atividade económica (Subclasse CAE Rev.3) Anual. Dados arredondados. Algumas sub-regiões não têm indicados os dados de emprego.
Menos de um quarto das empresas do Centro (22%) trabalha com o processamento e transformação da madeira e cortiça, um vasto conjunto de atividades que incluem desde a serração ao aplainamento e impregnação, passando pelo fabrico de folheados, contraplacados, lamelados, outros painéis e também de embalagens de madeira e cortiça. São estas as atividades que mais pessoas empregam: mais de 6885 pessoas ao serviço, o que representa 30% do total do emprego relacionado com a floresta nesta região. A maioria está localizada em Viseu Dão Lafões.
O mobiliário é a terceira principal atividade (16%) em termos de número de empresas, em especial em Aveiro, Leiria e Coimbra, mas é a principal indústria em termos de geração de emprego, a par da transformação de madeira e cortiça, com mais de 6800 pessoas em atividade, ou 30% do emprego.
Em muito menor número (apenas 3%) estão as empresas que se dedicam à produção de pasta, papel e cartão, cerca de um terço das quais em Aveiro. No entanto, estas 3 % das empresas geram mais de 16% do emprego da região Centro, com cerca de 4630 pessoas ao serviço.
17% do emprego nas regiões do Oeste e Vale do Tejo, Lisboa e Setúbal
As regiões do Oeste e Vale do Tejo e da Grande Lisboa são as terceiras mais importantes no emprego relacionado com a floresta, contribuindo ambas para 7% do total nacional. Em termos de número de empresas são a quarta e quinta maiores (a seguir ao Norte, Centro e Alentejo), com um contributo de 9% e 8%, respetivamente, para o total nacional.
Na região Oeste e Vale do Tejo, as empresas relacionadas com a silvicultura são as principais empregadoras (30%), seguindo-se a indústria do mobiliário (27%) e as dedicadas à transformação de madeira e cortiça (25%).
Na Grande Lisboa, a silvicultura continua a ser também o maior empregador (27%), embora seja seguida de perto pelas indústrias que transformam a madeira e a cortiça e pelas que produzem pasta para papel, ambas com 26% do emprego.
A Península de Setúbal representa 3% do total das empresas e do emprego. Também aqui predominam as empresas de silvicultura e exploração florestal, que representam 48% do total, embora seja a indústria da pasta e papel que emprega mais pessoas, 37% do total (1087 empregos).
O Alentejo é a terceira região com mais empresas (14%), mas a quarta em emprego relacionado com a floresta (5%), com 4855 pessoas ao serviço. Ali, as atividades da silvicultura são as principais geradoras de emprego, responsáveis 80% das pessoas ao serviço (um total de 3880), em 2233 empresas, localizadas principalmente no Alentejo litoral.
Algarve, Região Autónoma dos Açores e Região Autónoma da Madeira trazem contributos bastante modestos para o total nacional, tanto em empresas como em emprego. Em conjunto, têm apenas 5,4% das empresas e 1,2% do emprego relacionado com a floresta.
O artigo foi publicado originalmente em Florestas.pt.















































