O novo presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) do Dão, Manuel Pinheiro, defendeu hoje a necessidade de “informatizar fortemente” o processo de certificação dos vinhos.
Em declarações aos jornalistas, hoje, em Viseu, no final da sessão pública de apresentação da nova equipa e do respetivo plano de ação, Manuel Pinheiro explicou que “a intervenção humana será cada vez menor”.
“Os produtores terão cada vez mais acesso a fazerem a sua certificação por via informática. Claro que a prova dos vinhos é humana, mas, por exemplo, o resultado das análises é comunicado diretamente das máquinas do laboratório ao sistema informático”, especificou.
O responsável – que sucedeu a Arlindo Cunha – frisou que o objetivo é que o processo seja mais rápido, mais simples e mais rigoroso.
Segundo Manuel Pinheiro, “vai ser muito mais fácil retirar da câmara de provas e do laboratório a definição dos perfis de vinho para perceber, por exemplo, porque é que um vinho de Gouveia há de ser sempre diferente de um vinho de Mortágua”.
Desta forma, será possível “caracterizar as sub-regiões e assim caracterizar os tipos de vinho que a região tem”, atendendo à sua “diversidade geográfica, de climas, e, portanto, do vinho também”.
O ex-administrador da Global Wines aludiu também à necessidade de ver o vinho e o enoturismo como duas atividades diferentes.
“Vamos ter um plano separado. Iremos a feiras de vinhos ou a feiras de enoturismo separadamente e promoveremos alguns eventos para levar clientes às quintas, precisamente vocacionados para o enoturismo e não necessariamente para o vinho”, referiu.
Manuel Pinheiro exemplificou que o enoturismo pode acontecer “num plano de caminhadas na vinha ao fim de semana”, no âmbito do qual poderão participar famílias com adultos e também crianças.
“Certamente as crianças não vão consumir vinho, mas estão a aproximar-se à cultura do vinho e isso para nós é muito importante”, sublinhou.
A CVR Dão quer também envolver os jovens adultos, levando o vinho a locais como festivais de música e outros eventos ligados à cultura.
“Não mais devemos chamar as pessoas para eventos só de vinhos, que se tornam cansativos, mas devemos levar o vinho onde as pessoas estejam. Por exemplo, aqui no Solar do Dão vamos ter um evento de jazz proximamente, a seguir vamos ter uma exposição de fotografia, ou seja, ligar sempre o vinho a algo que lhe traga valor”, adiantou.
A Cidade de Vinho, a criar na antiga sede da CVR Dão, é outra das prioridades, com “um conjunto de investimentos que vão ligar a comissão vitivinícola, o Instituto Politécnico de Viseu e outras áreas ligadas à saúde e à formação”, avançou.
“Chamamos-lhe a Cidade do Vinho porque é um local onde quem visitar Viseu vai poder não só ter acesso à CVR e a uma parte museológica, mas também os turistas terem um centro à volta dos vinhos, onde vão fazer provas, vão aprender o que é a região”, acrescentou.
O objetivo é apresentar uma candidatura à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Centro “dentro das próximas semanas”.
Durante a sua intervenção na cerimónia, o presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo, contou que esteve na quinta-feira reunido com o presidente da CCDR, tendo sido abordada “a importância deste projeto para a região”.
O autarca garantiu que, juntamente com Manuel Pinheiro, pretende “resolver rapidamente” este assunto, para que a Cidade do Vinho se torne “um ativo para a região”.
Manuel Pinheiro, que desde 2022 era administrador da Global Wines (Quinta de Cabriz e Casa de Santar), foi eleito presidente da CVR do Dão no passado dia 08.
Aos 59 anos, Manuel Pinheiro, que durante duas décadas esteve à frente da CVR dos Vinhos Verdes, candidatou-se numa lista única e irá agora cumprir um mandato de dois anos.
















































