Rega no castanheiro é fundamental para estabilizar a produção

Rega no castanheiro é fundamental para estabilizar a produção

[Fonte: Voz do Campo]

Todas as estimativas apontavam para que 2017 não fosse um bom ano para a produção de castanha em Portugal e os primeiros números conhecidos vêm confirmá-lo.

No seu Boletim Mensal Agrícola de novembro o INE aponta para uma quebra de produção de 15 % em relação à campanha anterior, mas há quem fale de outros valores. O recém-eleito chairman do workgroup da castanha no seio da International Society of Agricultural Science, presidente da RefCast – Associação Portuguesa da Castanha e Professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, José Gomes Laranjo estima que sobretudo devido à falta de água verificada este ano, a quebra de produção acabe por situar-se nos 50%. Isto significa prejuízos na ordem dos 40 a 50 milhões de euros só à produção mas é necessário olhar também para as exportações que não vão fazer-se, perdendo-se entre 20 e 25 milhões de euros. Isto porque, para além da menor quantidade em termos absolutos,  acresce ainda uma redução na castanha comercializável, pois abundam os tamanhos de menor dimensão.

A seca deste ano não deve ser vista como um ato isolado
Não é de menosprezar também a maior incidência de pragas na castanha e doenças nos castanheiros, propiciadas pelo tempo quente, como é a doença da tinta, provocada por um fungo que ataca os castanheiros através das raízes e tem levado à morte de milhares de castanheiros.
Ora se a falta de água foi um dos principais motivos desta situação, na opinião do investigador também é importante referir que a seca deste ano não deve ser vista como um ato isolado, mas antes como uma consequência das alterações climáticas. “Temos trabalhos experimentais que demonstram claramente que a rega no castanheiro é fundamental para estabilizar a produção. Os rendimentos acrescidos pela rega em anos normais como este são muito significativos, quase pagando o investimento num só ano”.
Se estabilização da produção é aquilo que o setor mais anseia para poder planificar melhor o mercado da castanha, “em termos gerais, é importante que o setor perceba que o modelo de produção de castanha tem de ser atualizado em função destas novas adversidades. Estamos a pensar nas fertilizações adequadas, podas, uso de porta-enxertos resistentes à doença da tinta, tratamentos às doenças e pragas, rega, etc.”, argumenta o investigador.
O que se passa em Portugal não é muito diferente do que se passa na Europa, onde Gomes Laranjo define o setor como estacionário. “Depois das fortíssimas quedas que ocorreram na área e na produção, o setor prepara-se para inverter a situação.  Para isso tem vindo a fazer trabalho conjunto para sensibilização das autoridades governativas a nível dos principais países produtores de castanha da UE”. Já a nível mundial o setor está a crescer de forma muito acentuada, devido ao aumento da produção chinesa, ao mesmo tempo que estão a surgir novas regiões produtoras, como o Chile e a Nova Zelândia. O mundo produz cerca de dois milhões de toneladas, dos quais na ordem dos 80% correspondem à China e apenas 10% à Europa.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 210 (dezembro 2017)

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