Para a CNA, Ministro do Ambiente assume razias para a produção pecuária a pretexto da redução das emissões de carbono

Para a CNA, Ministro do Ambiente assume razias para a produção pecuária a pretexto da redução das emissões de carbono

[Fonte: Voz do Campo]

Também a CNA se pronunciou acerca do chamado “Roteiro para a Neutralidade Carbónica em 2050 – RNC 2050”, proposto pelo Governo Português, através do Ministro do Ambiente e da Transição Energética.

Diz a Confederação que, “por entre algumas teorias que ainda são pelo menos discutíveis e de entre outras medidas propostas, destaque para a redução, entre 25% e 50% menos (até 2050), dos efectivos pecuários, nomeadamente na bovinicultura, isto consoante a percentagem ou o grau admitidos para a tal “neutralidade carbónica” com os respectivos escalões, a considerar, de percentagem de emissões até ao “zero” de Dióxido de Carbono ou Anidrido Carbónico”.  Sem pôr em causa a necessidade civilizacional em eliminar as grandes agressões ambientais, todavia a CNA classifica de “bastante “arrogantes”, mesmo enquanto produção tecnoburocrática, muitas das percentagens definidas neste “RNC 2050” e nele apontadas, com rebuscada precisão, até às décimas percentuais.  É, pois, uma pretensão do Governo, e também da União Europeia, que corre riscos de ser “voluntarismo percentual” embora também passe a servir de pretexto para decisões oficiais que vão ter repercussões negativas no trabalho, nos rendimentos e na vida, no caso, de agricultores e produtores florestais”.

O comunicado contraria ainda a tese de que “é mais barato importar do que produzir cá”, além de considerar que tais medidas “também vão prejudicar a economia nacional porquanto reduzir em 50% a produção pecuária em bovinicultura, atualmente com mais de 1 milhão e 700 mil cabeças (incluindo Açores) significa o abandono de importante parte da produção nacional no subsetor da carne bovina em que Portugal já é, hoje, grande importador com um défice anual na ordem de  400 milhões de euros na respetiva balança agroalimentar de pagamentos”.

No caso do leite, considera que “a redução em efetivos irá juntar-se a outros problemas estruturais como o fim das “quotas” leiteiras e os baixos preços na produção os quais, aliás, muito têm contribuído para arruinar os produtores de leite e também os produtores de carne”.

Além disso, continua a CNA, “reduzir muito a produção nacional agroalimentar também significa promover o aumento, em princípio proporcionalmente, das importações evitáveis, o que virá agravar a dependência alimentar da nossa população e comprometer, cada vez mais, a soberania alimentar de Portugal”.

E, diz a nota, “reduzir os efetivos pecuários em bovinicultura, na lógica atual do sistema, também significa promover-lhes a super-concentração nas maiores e mais intensivas unidades agroindustriais que, aliás, já estão a ser implantadas no nosso país, à custa dos pequenos e médios produtores nacionais e da qualidade alimentar da população”.

Referindo-se ao setor da floresta considera que “não basta ao Governo fazer previsões “voluntaristas” – para a retenção de Carbonos pela Floresta e para a emissão “intensiva” de Dióxido de Carbono durante os Incêndios – porém previsões muito assentes na vontade do S. Pedro em mandar ou não a chuva em meses estivais como aconteceu este ano, para assim se reduzir naturalmente as incidências dos Incêndios Florestais e evitar-lhes as piores consequências”, na realidade, continua o documento “acontece até que a floresta nacional está hoje pior do que ficou nos dias seguintes aos dos grandes e violentos incêndios do ano passado o que, por si só, também é um grande problema ambiental”.

Para a CNA, “a defesa do Ambiente e das condições de vida também se faz com o combate à desertificação humana e ambiental, com a ocupação do território e a defesa das espécies (plantas, árvores e animais) autóctones, com a produção e consumo de proximidade”.

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