INE estima queda de 2,4% do rendimento da actividade agrícola em 2017

INE estima queda de 2,4% do rendimento da actividade agrícola em 2017

[Fonte: Agricultura e Mar]

O rendimento da actividade agrícola, em termos reais, por unidade de trabalho ano (UTA), deverá registar um decréscimo de 2,4% em 2017, após um crescimento de 17,5% observado em 2016, de acordo com a primeira estimativa das Contas Económicas da Agricultura (CEA) para 2017.

Avança o Instituto Nacional de Estatística (INE) que esta diminuição foi “determinada pela expressiva redução dos Outros subsídios à produção (-25,4%), tendo o Valor acrescentado bruto (VAB) aumentado 4,5% (diminuição de 1,5% em 2016)”.

O INE divulga hoje, 13 de Dezembro, a primeira estimativa das CEA para o ano de 2017. Em conformidade com o regulamento das CEA, até 31 de Janeiro de 2018 será efectuada uma segunda estimativa, a disponibilizar também no Portal do INE, na área dedicada às Contas Nacionais (secção das Contas Satélite).

Explicam os analistas do INE que a actividade agrícola desenvolvida em Portugal durante o ano de 2017 deverá gerar um rendimento, por unidade de trabalho ano (UTA), em termos reais, inferior ao do ano anterior em cerca de 2,4%, após um crescimento de 17,5% verificado em 2016. O valor acrescentado bruto (VAB) deverá aumentar 4,5% (redução de 1,5% em 2016) enquanto o volume de mão-de-obra agrícola (VMOA) deverá diminuir (-4,4%).

Mas o expressivo decréscimo dos Outros subsídios à produção (-25,4%), face ao significativo montante atribuído em 2016, determinou a diminuição do rendimento agrícola.

Para o aumento nominal do VAB (+4,5%) contribuiu a variação positiva da produção do ramo agrícola (+4,0%) conjugada com uma variação positiva menos acentuada do consumo intermédio (+3,7%). Em termos reais, perspectiva-se para o VAB um aumento de 5,8%.

Produção do ramo agrícola

Avança o INE que, em termos meteorológicos, o ano agrícola de 2016/2017 caracterizou-se pela ocorrência de baixos valores de precipitação e elevadas temperaturas (a Primavera foi a terceira mais quente desde 1931 e o Verão o sexto mais quente e o terceiro mais seco desde 2000), o que beneficiou o desenvolvimento de algumas culturas e prejudicou outras.

“Durante este período, foi frequente a completa secagem de charcas e uma grande diminuição do nível das águas subterrâneas, com a consequente redução da disponibilidade de água para as culturas e para os animais”, pode ler-se nas estimativas do INE.

Os analistas do Instituto estimam que a produção do ramo agrícola apresente, em 2017, um acréscimo em termos nominais (+4,0%), para o qual concorre um aumento do volume (+3,9%) e uma estabilização dos preços base (+0,1%). A evolução dos preços no produtor (+0,6%) deverá ser atenuada por uma diminuição dos subsídios aos produtos (-16,0%).

Produção vegetal

Quanto à evolução nominal positiva prevista para a produção vegetal (+4,4%) em 2017 resulta de um acréscimo em volume (+7,2%) e de uma redução dos preços de base (-2,7%). A produção de vegetais e produtos hortícolas e de frutos foi determinante no crescimento da produção vegetal.

As estimativas para a produção de cereais apontam para um volume inferior ao do ano anterior (-8,1%), dado que, à excepção do milho, todos os cereais apresentam menor volume de produção. Com efeito, a escassez de precipitação, associada a altas temperaturas, interferiu negativamente no desenvolvimento destas culturas, afectando a qualidade.

Prevê-se, no entanto, um acréscimo em volume da produção de milho (+4,2%), dado que o tempo quente e seco não afectou o desenvolvimento desta cultura em regime de regadio. O preço no produtor para os cereais deverá registar um decréscimo (-0,8%).

Forrageiras

Para as plantas forrageiras o INE estima um decréscimo em volume (-14,1%), em resultado da combinação de altas temperaturas e escassez de precipitação, uma situação meteorológica que conduziu à antecipação do fim do ciclo vegetativo, com uma redução de matéria verde. Em consequência, os produtores foram obrigados a antecipar o uso de alimentos conservados (fenos e silagens) e a recorrer a alimentos compostos para alimentar os animais. Os preços base deverão decrescer 4,3%.

Quanto aos vegetais e produtos hortícolas, prevê-se um aumento em volume (+5,1%) devido, em particular, aos hortícolas frescos, nos quais o tomate assume um lugar de destaque. Este apresenta um aumento em volume (+4,5%), consequência das condições climáticas que permitiram a sementeira e desenvolvimento da cultura.

Relativamente à produção de batata, prevê-se um aumento do volume (13,7%) em resultado do acréscimo da área plantada (+5,0%) e da produtividade (+10,0%) da batata de regadio. A qualidade da batata colhida foi, de um modo geral, boa. Os preços praticados registaram uma redução significativa (-27,3%), após um grande aumento em 2016 (+58,0%).

Frutos

No que respeita aos frutos, perspectiva-se um acréscimo significativo em volume (+17,2%), consequência de uma maior produção de maçã, pêra, pêssego, kiwi, frutos de baga e amêndoa. Deverá registar-se uma redução dos preços em relação ao ano anterior (-1,4%), em resultado de uma descida generalizada para todos os frutos, com excepção da maçã.

A produção de kiwi foi a maior de sempre, tendo-se atingido as 31 mil toneladas, como resultado do acréscimo de produtividade por hectare e, sobretudo, da entrada em plena produção das plantações recentes. O calibre dos frutos foi menor do que o habitual dada a excessiva quantidade de frutos por árvore, as altas temperaturas e a escassez de precipitação.

As amendoeiras também apresentaram uma quantidade substancial de frutos e as previsões apontam para uma produção superior a 20 mil toneladas (+255,0%, comparando com 2016), situação única neste século, refere o documento do INE.

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