Exportações de vinho caíram 11%

Exportações de vinho caíram 11%

[Fonte: Dinheiro Vivo - empresas]

As exportações de vinhos portugueses caíram, pela primeira vez, ao fim de seis anos consecutivos de máximos históricos. Uma quebra global de 1,1% provocada pelo descalabro no mercado angolano, que perdeu 67,6% em volume e 54,8% em valor. No total, Portugal exportou, em 2016, quase 2,770 milhões de hectolitros de vinho, no valor de 727 milhões de euros. O preço médio manteve-se praticamente inalterado nos 2,62 euros por litro. “Não fora o mercado angolano e os números tinham sido fabulosos”, diz o presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, Frederico Falcão.

Angola era, até 2015, o maior mercado de destino dos vinhos portugueses, embora não aquele que os remunerava melhor. Esse era, e continua a ser, a França, que anualmente compra mais de 110 milhões de euros em vinho português. Mas Angola, que comprou 522 mil hectolitros em 2015 (chegaram a ser 687 mil hectolitros em 2012), não foi, no ano passado, além dos 169 mil hectolitros, caindo para a sexta posição no top dos destinos das exportações nacionais de vinho. Quanto ao valor, cai para menos de metade, ficando-se pelos 32,8 milhões de euros.

Em compensação, mercados como o dos Estados Unidos, da Holanda, da Alemanha ou do Canadá registaram acréscimos significativos, que variam entre os 1,9% e os 8,7%. Mas há também boas performances em alguns dos novos destinos, como a China, que cresceu 23,7%, ou a Federação Russa, que mais do que duplicou as compras: “Não deixa de ser um ótimo sinal o crescimento obtido em mercados como o dos Estados Unidos, do Canadá ou da China”, destaca Frederico Falcão, que defende, no entanto, a necessidade de os operadores não desistirem de Angola. “Há que continuar a investir. Todos sabemos que é uma economia muito dependente do preço do petróleo, mas todas as estimativas apontam para uma retoma. É uma aposta que não deve ser abandonada, até porque o governo angolano tem estado a tomar medidas para diversificar o PIB”, sublinha o presidente do IVV, que se mostra positivo quanto a 2017. “Só temos razões para olhar para o futuro de forma risonha.”

Além de Angola, quebras também no mercado belga e moçambicano. Mais significativa é o desempenho do mercado britânico, para o qual as exportações cresceram 6% em quantidade, num total de quase 205 mil hectolitros, mas caíram 2,7% em valor, para 75,3 milhões de euros – um efeito do brexit. O Dinheiro Vivo tentou obter comentários à evolução das exportações junto da ViniPortugal, mas sem sucesso.

Vinho verde a crescer há 12 anos
As exportações de vinho verde cresceram, neste ano, quase 10%, totalizando 59,8 milhões de euros. É o 12.º ano consecutivo dos verdes a bater máximos históricos nos mercados internacionais, sendo certo que as exportações já valem quase 50% das vendas totais da região.

Mais importante, diz o presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), é o facto de 60% dos vinhos tranquilos (ou seja, retirados os licorosos como o vinho do Porto e o Madeira) vendidos por Portugal para os Estados Unidos serem verdes. “Foi um ano de grande exposição dos vinhos verdes no mundo e precisamos que a economia mundial se encoraje para continuarmos a crescer”, diz Manuel Pinheiro.

O próximo passo é conseguir que os vinhos verdes se posicionem, lado a lado, junto das grandes regiões mundiais como uma categoria nas prateleiras do retalho: “Somos perseverantes e acreditamos que, claramente, estamos no caminho certo”, frisa.

Com um plano de promoção anual orçado em 3,1 milhões de euros, os verdes vão, em 2017, apostar num novo mercado: a Dinamarca. “Com o brexit, os fundos comunitários vão deixar de estar disponíveis para financiar ações de promoção no mercado britânico. Vamos, por isso, alocar parte dessas verbas – ainda não temos definido qual será, exatamente, o investimento no mercado dinamarquês, onde temos uma presença pequena, mas esperamos que venha a crescer”, diz Manuel Pinheiro. As vendas de vinho verde para a Dinamarca mais do que duplicaram em relação a 2015, mas valem, apenas, 711 mil euros.
Douro com performance mista

As exportações de vinhos da Região Demarcada do Douro caíram 0,4% em quantidade – “inferior à quebra nacional”, destaca Manuel Cabral, do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto -, mas em valor cresce 1,3 , atingindo os 365 milhões de euros.

Distinto foi o comportamento do vinho do Porto e dos vinhos do Douro. Estes últimos cresceram 5,8% em quantidade e 5,8% em valor, para um total de 55 milhões de euros, com o preço médio a manter-se quase inalterado nos 4,24 euros. Já o vinho do Porto cai 1,5% em quantidade, mas sobe 0,6% em valor, atingindo os 307,5 milhões de euros. Mais importante, o preço médio do vinho do Porto exportado reforçou-se 2,1% e é agora de 4,75 euros.

“Fazemos um balanço positivo de 2016. Claro que queremos sempre mais, mas, dadas circunstâncias do mercado e as tendências internacionais a nível de gosto e de grau alcoólico dos consumidores, só podemos dizer que as coisas nos estão a correr bem”, diz Manuel Cabral. Que lembra o reforço das categorias especiais nas exportações de porto: “Nos últimos quatro anos, as categorias especiais estabilizaram com uma quota acima dos 20% em termos de quantidade, mas acima dos 40% em termos de valor.”

O plano de promoção do IVDP para 2017 é de 1756 milhões de euros, e as principais apostas em relação a mercados são Portugal, Grã–Bretanha, França, Brasil, EUA, Canadá e China. Quanto a ações, Manuel Cabral destaca a presença nas feiras da Prowein (Alemanha) e da Vinexpo (França), bem como os certames organizados na Ásia. Em Portugal, sublinha a formação a profissionais de restauração, com o programa Saber Servir, Vender Melhor, bem como a organização do Portugal Wine Day, entre outras iniciativas.

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