Eólicas que flutuam no mar têm potencial exportador de 59 mil milhões

[Fonte: Gazeta Rural]

A primeira central eólica flutuante do mundo vai nascer no mar de Viana do Castelo. Nos próximos três anos, o projeto do consórcio Windplus vai contar com um investimento total de 125 milhões de euros. A ideia é baixar os custos da tecnologia para a exportar para outros países.

O primeiro parque eólico flutuante offshore do mundo tem estreia marcada para 2019 e morada definitiva no mar português: as três turbinas eólicas vão ser montadas juntamente com as inovadoras plataformas flutuantes com tecnologia americana Windfloat no porto de Ferrol, no norte da Galiza, e depois rebocadas até ao seu destino, a 20 quilómetros ao largo de Viana do Castelo.

“Este projeto é pioneiro e inovador a nível mundial”, disse António Mexia, CEO da EDP, avançando com previsões de custos de 65 euros por MWh para a construção desta central. Deixou ainda em cima da mesa um cenário futuro de exportação desta “nova geração de energia eólica” para países como “o Japão e outros que precisam de energias renováveis mas que não têm espaço em terra e apostam no eólico offshore e nestas tecnologias inovadoras, nas quais Portugal consegue provar que está na linha da frente”.

O potencial é enorme e foi sublinhado pela ministra do Mar, Ana Paula Vitorino: “A indústria portuguesa na área das energias renováveis oceânicas tem um mercado potencial de 59 mil milhões de euros até 2030, em termos de exportações da energia eólica offshore flutuante. A instalação deste parque nas águas profundas de Viana de Castelo será o showroom tecnológico da capacidade de Portugal.”

João Manso Neto, presidente da EDP Renováveis, acompanhou o raciocínio e sublinhou a redução dos custos, que permitirá replicar o projeto noutros países. “Este projeto vai tornar esta tecnologia competitiva. Que ela funciona e que resiste a tudo, até ao mar Atlântico português, já está demonstrado. Agora temos de baixar os custos. Há muitos locais do mundo onde não é possível desenvolver o eólico onshore, o solar também não, por questões de espaço. O offshore flutuante é uma alternativa. Se conseguirmos baixar os custos, amanhã teremos outros países a lançar grandes concursos de eólicas flutuantes. Este projeto é um trampolim para o futuro.”

Em campo está já a portuguesa ASM Industries, uma PME nacional que está a investir em força para fazer nascer este projeto, já de olho no potencial futuro de exportação das plataformas que vão permitir à energia eólica sair de terra e flutuar pelos mares do mundo. No espaço de três anos, a ASM Industries tem um plano de investimento de 40 milhões de euros: dez milhões nas fábricas de Sever do Vouga e Setúbal e 30 milhões numa nova unidade de produção em série de fundações offshore no porto de Aveiro, que começará a laborar em março de 2019 e criará 150 novos postos de trabalho. O objetivo passa por exportar para a Europa e para a América do Norte daqui a cinco anos, garantiu o CEO, Adelino Costa Matos, que em 2020 prevê estar a faturar 50 milhões de euros (70% no offshore).

“Trouxemos o Windfloat para Portugal e desenvolvemos o primeiro protótipo. Sendo uma tecnologia americana [da empresas Principle Power], com facilidade podia ter ido parar a outro país”, diz Costa Matos. O empresário confirma que o mercado asiático é uma possibilidade. Mas, antes disso, a ASM Industries está já a analisar com a EDP novos projetos de Windfloat para a Escócia e para a França, mas também para a Alemanha, a Holanda, a Bélgica e os EUA.

As três turbinas gigantes que vão morar no mar português

Tudo deverá acontecer no segundo semestre de 2019, aponta a EDP e a ASM Industries. Isto porque só agora é que a REN está a dar início aos trabalhos de construção do cabo submarino que permitirá ligar a central eólica flutuante à rede de distribuição.

Primeiro é feita a perfuração do subsolo, entre setembro de 2018 e janeiro de 2019, para a instalação do cabo elétrico submarino, que será depois instalado entre abril e setembro de 2019. As plataformas ficam prontas até junho, garante a ASM Industries, a PME portuguesa que está já a construir duas delas entre Setúbal e Sever do Vouga, sendo depois rebocadas para a sua localização final entre agosto e setembro de 2019. A ligação à rede só será feita entre outubro e novembro do próximo ano. João Manso Neto garantiu que o parque eólico Windfloat Atlantic estará operacional “até ao final do ano que vem”.

A partir desse momento começa então a fase pré-comercial da primeira central de energia eólica totalmente flutuante à escala mundial. Apadrinhado pela Comissão Europeia, o projeto eólico offshore Windfloat Atlantic conta com um investimento de 125 milhões em três anos por parte do consórcio Windplus, uma subsidiária da EDP Renováveis, Repsol e Principle Power. O financiamento vem do Banco Europeu de Investimento (60 milhões), da União Europeia (30 milhões) e ainda do governo português (seis milhões). A EDP suportará os restantes 29 milhões. A central eólica terá tarifas subsidiadas entre 123 e 148 euros por MWh/hora durante 25 anos.

Este parque eólico offshore terá capacidade para produzir eletricidade suficiente para fornecer 60 mil pessoas. Na primeira fase de testes à tecnologia, a cinco quilómetros da Póvoa de Varzim, o projeto teve já um investimento de 23 milhões. António Mexia, CEO da EDP, sublinhou que a primeira torre eólica flutuante aguentou com ondas de mais de 17 metros no Atlântico, ao largo da costa portuguesa… na mesma semana em que McNamara bateu na Nazaré o recorde da maior onda surfada.

Fonte: dinheirovivo.pt

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