Empresas da área florestal criticam reforma e ministro Capoulas Santos

O ministro é acusado pela Anefa de não ter ouvido quem trabalha na floresta, tendo unicamente unido os agentes do sector na crítica à reforma

A Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (Anefa) criticou nesta terça-feira a reforma da floresta recentemente aprovada, considerando que foi feita sem participação “de quem nela trabalha” e que apenas uniu em oposição os agentes do sector.

O Parlamento aprovou em Julho dez diplomas sobre a floresta, que o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, considerou, em entrevista à Lusa, uma grande revolução. Para a Anefa, no entanto, o mérito que as novas leis tiveram “foi o unir os agentes do sector na crítica à Reforma da Floresta”.

“A verdadeira revolução florestal passaria por se encontrar soluções financeiras que conduzissem o produtor a uma gestão florestal profissional através do investimento directo na floresta, que permitisse reverter o paradigma de consumirmos mais produtos florestais do que produzimos, sempre associado a modelos que levassem a criação de emprego nas regiões florestais”, preconiza a Anefa em comunicado.

Sempre crítica em relação aos diplomas aprovados e à entrevista do ministro, a Anefa questiona como é que Capoulas Santos está satisfeito por ter feito uma reforma “contra tudo e contra todos”, numa referência a afirmações do ministro, de satisfação por ter sido aprovada a reforma “contra tudo e contra todos, contra lóbis, comentadores, cientistas”.

No comunicado, a associação diz também que a única parte da entrevista de Capoulas Santos com que está de acordo é quando o governante admite que hoje não se cumprem integralmente as leis da floresta e fala da falta de fiscalização.

“Essa é a prova do constante desinteresse dos sucessivos Governos em relação à floresta, mas nada se propõe para alterar essa situação”, diz a Anefa.

E quanto à afirmação, do ministro, de que o risco de incêndio é minimizado se nas florestas estiverem entidades gestoras, se for conhecido o património e se houver regras de ordenamento, a associação responde com “o caso de Mação, onde tudo isso existia”.

“Quando se promete dinheiro apenas para as zonas queimadas ou se paga a uma ‘indústria’ que depende do fogo para sobreviver, o fogo aparece independentemente das condições que referiu”, afirma a Anefa.

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