Dificuldade em obter divisas em Angola principal reclamação de empresas transmitida a MNE português

Dificuldade em obter divisas em Angola principal reclamação de empresas transmitida a MNE português

Luanda, 10 fev (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal ouviu hoje, em Luanda, as preocupações de dezenas de empresas portuguesas que operam em Angola, cuja maior dificuldade apresentada foi a falta de divisas para pagamentos a fornecedores.

Augusto Santos Silva, que chegou hoje a Luanda para uma visita de trabalho de três dias, cumpre uma vasta agenda de trabalho, que incluiu igualmente o encontro com as empresas portuguesas.

José Campos, gerente da Luso Vini, foi um dos participantes na reunião que levou como preocupação o atraso dos pagamentos a fornecedores, situação que, considerou, “dá cabo da tesouraria de qualquer empresa”.

Segundo o empresário, esta situação tem obrigado várias vezes a retenção na venda dos produtos ou “um compasso de espera até que dinheiro chegue para poder chegar mais produto”.

“É sem dúvida o principal problema com que nos debatemos aqui, porque o mercado continua a reagir bem, há procura dos nossos produtos, o mercado está recetivo, o problema maior é sem dúvida as divisas para pagar esses produtos”, frisou, manifestando esperança que a presença de Augusto Santos Silva venha a “ajudar nesta luta de todos”.

Por sua vez, António Cunha, sócio-gerente do Grupo 7 Cunhas, manifestou algum otimismo sobre a situação, salientando que nos últimos dias tem melhorado bastante essa preocupação.

“Isto já estamos a sentir. Aquilo que eu tenho referido é que, com o aumento do preço do petróleo, as divisas vão surgir e as coisas vão entrar na normalidade, por isso vamos ter esperança (…) afinal dificuldades há em todo o mundo”, disse.

Já António Alves, administrador executivo da Atlanfina, empresa no ramo dos vinhos, elogiou o anúncio da intenção de aumentar a linha de crédito para as empresas portuguesas a operarem em Angola de mil milhões de euros para 1.500 milhões de euros, salientando que este instrumento tem sido a alavanca para a manutenção do negócio.

“Em relação à atribuição de divisas e no setor específico em que me insiro, na parte dos vinhos portugueses, de há três anos a esta parte que não temos sido ´bafejados` por nenhuma divisa. Nenhuma transferência digna desse nome, e essa é uma situação que nos preocupa, porque vemos anunciar algumas medidas e alguns leilões e algumas atribuições e de facto na prática não temos recebido nada. Salários em atraso, compromissos em atraso, é uma situação de facto dramática”, lamentou.

O governante português referiu que foi inscrita no orçamento de 2017 a autorização da despesa que permitirá, em caso de necessidade, aumentar a linha de crédito para 1.500 milhões de euros.

“Estamos neste momento a trabalhar tecnicamente no sentido de validar as candidaturas de projetos e de empresas, a partir de uma proposta angolana, como manda a convenção angolana”, informou, adiantando que a linha de crédito atual de mil milhões de euros “está praticamente esgotada”.

Augusto Santos Silva recordou que Portugal passou entre 2010 e 2014 por um período de uma crise muito difícil quer do ponto de vista financeiro e orçamental quer do ponto de vista económico e, nesta altura, Angola foi um mercado muito importante para os portugueses, tendo muitas empresas conseguido manterem-se ativas através de projetos implantados em território angolano.

“A parceria entre Portugal e Angola é de todas as horas – nas melhores e menos boas -, e somos dois países que recentemente passámos por dificuldades de natureza económica, financeira e orçamental”. Em Portugal, “recuperámos e é nas horas mais difíceis que se notam as amizades mais sólidas”, frisou.

O ministro português sublinhou que Portugal compreende bem os ciclos económicos, havendo “momentos de maior facilidade e há momentos de maior dificuldade”.

“É nos momentos de maior dificuldade que se vê a solidez das relações entre os países e as empresas portuguesas que estão a investir neste momento em Angola estão a fazê-lo num período que não é tão fácil como foi por exemplo no princípio do século, mas fazendo-o e permanecendo em Angola estão justamente a consolidar a sua relação e estou certo que os angolanos não se esquecerão disso”, disse.

NME // ANP

Lusa/Fim

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