Citrinos do Algarve ganham mais organização

Citrinos do Algarve ganham mais organização

[Fonte: Voz do Campo]

A campanha dos citrinos no Algarve não arrancou da melhor maneira, depositando-se agora expectativa na fruta de primavera, normalmente de calibres superiores. Mas, paralelamente à produção há um vasto trabalho de promoção e valorização que tem de ser feito constantemente e que historicamente tem acontecido de forma muito individualizada. Agora o Algarve conta com uma nova entidade, a AlgarOrange que se propõe fazer esse trabalho numa fileira que, embora esteja a dar passos largos no sentido do aumento da produtividade e da exportação, ainda enfrenta muitos desafios que a união poderá ajudar a resolver.

Laranja, tangerina, toranja, lima, limão, são todos frutos do género citrus e que se encontram disseminados um pouco por todo o país, mas é a sul, no Algarve, que se concentra a produção. Representa 73% da área de pomar nacional de citrinos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística relativos a 2018 citados mais à frente pela Associação de Viveiristas do Distrito de Coimbra. É também aqui que se tem assistido a um aumento da área média dos pomares, e a um certo rejuvenescimento como acontece no município de Silves, conforme nos avança a presidente da autarquia local, Rosa Palma, ao explicar que “nos últimos anos a área de citrinos no concelho tem aumentado exponencialmente, sendo um dos seus setores económicos mais importantes, com cerca de 2200 produtores, ocupando uma área de mais de 6000 hectares”.

Este dinamismo tem sido de alguma forma conseguido através “de sangue” novo que tem pegado nesta atividade, muitas vezes já com tradição familiar e que consegue olhar para a cultura de outra forma. Um bom exemplo é o de Vera Sustelo. Jovem, dinâmica, formada em engenharia agronómica, deu continuidade à atividade agrícola dos pais. Além do próprio pomar de 65 hectares ainda presta assessoria técnica, e trabalha numa empresa ligada aos citrinos.

Uma das conclusões dos vários fóruns e debates em torno deste setor é que hoje os pomares estão com uma produtividade bem superior ao passado e a capacidade exportadora é cada vez mais interessante até porque os citrinos produzidos no Algarve apresentam um elevado nível de qualidade. Aliás, existe mesmo uma Indicação Geográfica Protegida, uma marca apenas destinada aos frutos de elevada qualidade que reflitam as características desta região. Nos dados disponibilizados pelo Gabinete de Planeamento e Políticas a percentagem de citrinos comercializados com IGP representa valores ainda baixos (sem ultrapassar os 5%), mas nota-se o interesse em “fazer renascer” também este segmento. O Clube de Produtores Continente fez saber recentemente que até ao mês de junho as laranjas à venda nas Lojas Continente são algarvias e precisamente com certificação IGP. Esta parceria com os produtores significa uma previsão de aquisição de cerca de dez mil toneladas de laranja do Algarve. É também um dos propósitos da recém criada AlgarOrange, associação que reúne nove operadores e que em termos mais latos objetiva promover e valorizar os citrinos do Algarve, fundamentalmente virada para o exterior.

São passos que vão sendo dados para gerar mudança num setor que ainda enfrenta muitos constrangimentos. Dificuldade em conseguir mão de obra, ameaças sanitárias, o preço da terra, a provável futura escassez de água, entre muitas outras, como a falta associativismo. Esta é uma lacuna que persiste e acaba por condicionar a própria atividade comercial, como nos revela o diretor geral da Cacial, Horácio Ferreira. Antes disso explica que a atual campanha não está a correr bem do ponto de vista dos preços, inferiores ao que se considera razoável, e dos próprios consumos que também estão abaixo do habitual.

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 223 (fevereiro 2019)

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