Artigo – Alimentar o mundo: eurodeputados analisam opções tecnológicas

Artigo – Alimentar o mundo: eurodeputados analisam opções tecnológicas

Estima-se que em 2050 a população mundial alcance 9,6 mil milhões de pessoas e que a procura de alimentos cresca 70%. Será o mundo capaz de dar resposta a esta procura? Na sessão plenária de junho, os eurodeputados salientaram a necessidade de se investir na tecnologia agrícola, bem como na redução do impacto ambiental da agricultura. Em análise esteve também a busca de soluções para melhorar o setor da agricultura em África.

De acordo com o Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas, 795 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à alimentação necessária para manter uma vida saudável. A grande maioria destas pessoas vive em países em desenvolvimento. Na África Subsariana uma em cada quatro pessoas é subnutrida.

 

Redução do impacto ambiental da agricultura

Na União Europeia, as atividades agrícolas são diretamente responsáveis por 10,4% das emissões de CO2 e entre 11% e 15% das emissões de gases de efeito-estufa. No entanto, se forem contabilizados a utilização dos solos, a desflorestação, o processamento, a embalagem, na venda e os resíduos dos produtos, estes números sobem para os 50%.

De acordo com Jan Huitema (ALDE, Países Baixos), autor do relatório sobre a inovação na gestão das explorações agrícolas europeias votado na sessão plenária de junho, “os agricultores têm capacidade e conhecimento para inovar, mas estão limitados pela legislação ou pelas regras obsoletas”. “Muitas destas práticas agro-ambientais de vanguarda como o combate às pragas com insectos ou adubos-verdes produzidos a partir de resíduos já existem, mas a legislação europeia por vezes ainda dificulta estas inovações. Esta semana os eurodeputados decidiram seguir em frente em vez de ficarem agarrados ao passado”, afirmou Huitema.

No relatório lê-se que o uso dos pesticidas, fertilizantes e até da água podem ser reduzidos nas atividades agrícolas, através do uso de sistemas de gestão baseados nas tecnologias da informação e comunicação. Estes podem, por exemplo, fazer uso das informações recolhidas a partir da robótica, para levar ao aumento do desempenho e reduzir os impactos ambientais.

Diversidade genética

O relatório adotado na semana passada, da autoria da eurodeputada Anthea McIntyre (ECR, Reino Unido), destaca que a diversidade genética e a qualidade dos recursos fitogenéticos têm um papel determinante na resiliência e na produtividade agrícola. “As grandes empresas sabem disto e tenho a certeza que terão a diversidade em mente nos seus programas de desenvolvimento”, afirmou McIntyre.

“Não devemos perder o foco dos benefícios que a agricultura inteligente oferece, uma vez que esta está desenhada para reduzir o uso dos pesticidas, fertilizantes e a água utilizada durante a otimização dos cultivos”, afirmou a eurodeputada.

Apoiar a agricultura em África

 

A Nova Aliança Global para a Segurança Alimentar e Nutrição foi criada em 2012 para investir na agricultura africana. O programa criado sob os auspícios dos Países do G8, conta ainda com o apoio de governos africanos, a produtora de sementes Syngenta e a companhia de fertilizantes Yara Internacional.

A eurodeputada Maria Heubuch (Verdes/ALE, Alemanha) responsável pelo relatório, também adotado na sessão plenária de junho, criticou o foco na monocultura e na dependência do uso de fertilizantes. “Em África, há demasiadas terras a serem utilizadas para a produção de culturas para exportação, em vez de serem para consumo local. Isso faz com os países africanos estejam totalmente dependentes de alimentos importados e, em consequência, mais vulneráveis às alterações flutuantes dos preços no mercado mundial”.

A eurodeputada alemã não considera que os Organismos Geneticamente Modificados (OGM) sejam uma solução para este problema: “A engenharia genética não está a conduzir a rendimentos mais elevados. Além disso, os cultivos transgénicos têm conduzido ao uso de mais pesticidas e não o contrário”, acrescentou.  

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