Açores quer manter autorização comunitária para produzir vinho com casta Isabelle e comercializá-lo fora da Região

[Fonte: Agricultura e Mar]

O secretário Regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, enviou hoje, 17 de Maio, uma carta ao ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, a solicitar que Portugal, enquanto Estado-membro, defenda junto da Comissão Europeia que os Açores possam continuar a produzir vinho a partir da casta Isabelle e passar a poder comercializá-lo, sem restrições, para fora da Região.

Na missiva assinada por João Ponte, é considerado que o pedido açoriano “não coloca de modo algum em causa o propósito de Portugal na sua posição já assumida relativamente a esta matéria”, que vai no sentido de manter a proibição actualmente existente, a que está sujeita esta casta, bem como outras variedades híbridas de vinha.

Variedades híbridas de vinha

Presentemente está em discussão, embora neste momento em suspenso, em virtude da proximidade das eleições para o Parlamento Europeu, uma proposta da Comissão para alteração do Regulamento (EU) n.º 1308/2013, que estabeleceu uma organização comum dos mercados dos produtos agrícolas, sendo que uma das alterações previstas se prende com o levantamento da proibição das variedades híbridas de vinha: Noah, Othello Isabelle, Jacquez, Clinton e Herbemont.

Acresce que a Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural do Parlamento Europeu já se pronunciou sobre esta matéria, entendendo que deverá manter-se a proibição, mas criada uma derrogação para as zonas de produção tradicionais destas castas, como é o caso dos Açores, desde que a área de plantação existente não seja aumentada.

“Vinho de cheiro”

O secretário Regional da Agricultura e Florestas salientou que é a partir da casta Isabelle que é produzido o designado “vinho de cheiro”, que tem grande tradição histórica e mesmo cultural na Região.

Neste momento, o vinho de cheiro produzido só pode ser comercializado nos Açores, mas entende o Governo Regional que seria desejável poder passar a comercializá-lo fora dos limites geográficos do arquipélago, lembrando que existe uma comunidade açoriana de dimensão muito significativa no continente norte-americano, onde não existem restrições às castas em causa, e que “poderá constituir um mercado muito apetecível, entre outros, para exportação daquele tipo de vinho”.

“Julgamos que os Açores, enquanto Região Ultra-periférica deveriam continuar a beneficiar de uma derrogação relativamente à proibição actualmente existente, conforme é possibilitado por via do Regulamento (EU) n.º 228/2013 (POSEI), mas também que a mesma deveria ser alargada, permitindo a comercialização sem restrições do vinho em causa, também para fora da Região”, advoga João Ponte na missiva dirigida a Capoulas Santos.

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