A importância das raças autóctones em Portugal

A importância das raças autóctones em Portugal

[Fonte: Voz do Campo]

Segundo a PORDATA (2016), cerca de 39,5% da área total de Portugal é considerada superfície agrícola útil, da qual um terço é usado em pastagens permanentes e outro terço em áreas florestais para pastoreio, indicando que a maioria da área agrícola do país poderia ser utilizada para a produção animal.

De acordo com a estimativa das Contas Económicas da Agricultura para 2017, a produção agrícola apresentou um acréscimo em volume de 3,8% e a produção animal registou um aumento em valor de 4,9%. A produção animal contribui com 40% para o valor da produção agrícola (produção animal, vegetal, de serviços agrícolas e de atividades secundárias não separáveis). No entanto, globalmente, Portugal ainda apresenta um saldo negativo da balança comercial dos “Produtos agrícolas e agroalimentares”(> 3,5 mil milhões de euros) e não é auto-suficiente na produção de carne. A produção nacional contribuiu com apenas 76,7% da quantidade de carne necessária para satisfazer as necessidades de consumo.

Portugal tem uma enorme diversidade de Recursos Genéticos Animais (RGAn) e é considerada atualmente uma das regiões “Hot Spot” de biodiversidade do planeta, representada por 50 raças autóctones das espécies pecuárias
Apesar da reduzida dimensão do território Português (92 212 km2), este possui uma grande variabilidade de condições de orografia, solos, clima, estrutura fundiária, entre outras fatores, de que resulta uma muito elevada diversidade de condições ambientais que, em conjunto com distintas tradições sociais e culturais e uma localização geográfica estratégica no extremo sudoeste do continente europeu, fazem com que Portugal mantenha uma enorme diversidade de Recursos Genéticos Animais (RGAn), sendo considerada atualmente uma das regiões “Hot Spot” de biodiversidade do planeta, representada por 50 raças autóctones das espécies pecuárias (Quadro 1). Se consideramos o número de raças por área territorial, Portugal é um dos países com maior biodiversidade de espécies pecuárias, com uma raça por cada 1,8 mil km2.
Embora a maioria das raças autóctones Portuguesas esteja oficialmente considerada em risco de extinção, representam um património genético animal de relevância indiscutível, tanto a nível nacional como internacional, conforme referido no “Plano Nacional para os Recursos Genéticos Animais”, que estabelece bases para sua a gestão sustentável, de acordo com o Plano Global de Ação aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Segundo este Plano, a conservação, utilização sustentável e promoção RGAn para alimentação e agricultura têm sido uma prioridade das sucessivas políticas nacionais e comunitárias há vários anos, uma vez que são essenciais para o futuro da humanidade:
· Contribuem decisivamente para a satisfação das necessidades do Homem, como base da alimentação mundial e de outros bens essenciais como a força de tração, transporte, vestuário, energia, fertilização, etc.
· São imprescindíveis para a fixação de populações no espaço rural e para a sua gestão sustentável, que deverá ser aproveitado e mantido para as próximas gerações.
· São um contributo indispensável para os sistemas de produção em equilíbrio com o meio ambiente, promovendo adicionalmente a redução de risco de incêndio.
· Como reservatório de variabilidade genética, permitem dar resposta a novas necessidades da sociedade, fazer face a situações imprevistas e favorecer o desenvolvimento da humanidade.

Nos últimos anos todas as raças autóctones têm estado envolvidas em Programas de Conservação ou em Programas de Melhoramento Genético
As raças autóctones proporcionam à sociedade produtos de qualidade, seguros e de alto valor económico, muitos com nomes protegidos (DOPs, IGPs e ETGs), contribuem para o aumento da rentabilidade das explorações agrícolas, preservando o ambiente, uma vez que são explorados maioritariamente em sistemas de produção extensivos e em zonas desfavorecidas, aproveitando os escassos recursos disponíveis que de outra forma não seriam aproveitados.

Inês Carolino e Nuno Carolino

Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária
Polo de Investigação da Fonte Boa 2005-048 Vale de Santarém
www.iniav.pt

Para ler na íntegra na Voz do Campo n.º 222 (janeiro 2019)

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