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Conferência de
Imprensa
Dr. José Manuel Durão
Barroso
17.05.01 Política Agrícola ComumO “documento de trabalho” em que se sustenta a Proposta de Reforma da PAC apresentada pelo Governo, assenta no pressuposto falacioso de que “a actual estrutura de incentivos impede a reorientação da agricultura europeia no sentido da competitividade, da qualidade e da sustentabilidade”. Daí propõe para 2011:
Na verdade, esta propostas revela-se: RUINOSA E IRREALISTA, porque ao preconizar a liberalização total dos mercados agrícolas – a médio prazo - e a eliminação total das ajudas directas aos agricultores poria em causa a própria produção agrícola europeia, não sendo susceptível de merecer a aceitação da generalidade dos nossos parceiros, em particular dos mais importantes (Alemanha, França, Espanha, Itália...), uma vez que, não obstante o seu nível de desenvolvimento agrícola, não dispõem, em múltiplas produções, de estruturas competitivas com as do Novo Mundo. Pergunta-se: o que seria, no futuro, da segurança alimentar europeia? INOPORTUNA, porque tende a fragilizar a posição, prudente e de defesa do “modelo agrícola europeu”, que a Comissão vem exprimindo no quadro de preparação da próxima ronda da OMC e também tendo em vista a revisão de “mid-term” do Acordo de Agenda 2000, em 2002. Veja-se a este propósito as recentes declarações do Comissário Fischler ao “Financial Times” em que refere que tal igualização de preços e desmantelamento da PAC «seria desastrosa», acrescentando que «a diferença entre os preços europeus e mundiais exerceria uma tal pressão sobre os preços europeus, os rendimentos dos agricultores e as estruturas agrícolas que o resultado seria o colapso do modelo agrícola familiar, com abandono da actividade nas regiões menos favorecidas e as consequentes implicações ambientais e desertificação». IRRESPONSÁVEL E CONTRÁRIA AO INTERESSE NACIONAL, porque caso vingasse a projectada liberalização total dos mercados agrícolas, os principais perdedores seriam os Estados-membros com agriculturas com maiores debilidades estruturais e as regiões mais desfavorecidas, como é o caso de Portugal. DEMAGÓGICA, porque a proposta sustenta-se, política e mediaticamente, apenas no facto de prever o aumento muito substancial das transferências financeiras para o nosso País, com hipotético acréscimo do rendimento médio dos nossos agricultores, através da atribuição de ajudas completamente desligadas da produção. Aparentemente, promete-se mesmo o “céu na terra”, isto é, subsídios sem produção! Perante este quadro, para além dos autores da proposta, quem mais defenderá que se paguem subsídios sem que nada se esteja vinculado a produzir? O que pensarão os agricultores portugueses do autêntico “atestado de invalidez” que o Ministro da Agricultura lhes está a passar? Não seria este o verdadeiro “pensionismo agrícola” que o PS tanto criticava quando na oposição? E o que pensarão a Comissão e os nossos parceiros de tanta generosidade à sua custa? Que consequências terá a Proposta na credibilidade do País? É esta a proposta que o Primeiro-ministro apelida de “corajosa, inovadora e solidária”? Perante a sua tão evidente falta de nexo face à coincidência da data da sua divulgação com a informação do Eurostat de que a agricultura portuguesa está em acentuado processo de divergência em relação à Europa, é de admitir que, na linha a que este Ministro da Agricultura nos habituou, a Proposta mais não visa que o objectivo da culpabilização da PAC e da auto - desresponsabilização do Governo pela perda de rendimento dos agricultores portugueses e pelo descalabro do sector agrícola. Todavia, como é que o Ministro da Agricultura justifica que o rendimento dos nossos agricultores tenha caído 9,3% no ano passado, quando em Espanha – com a mesma PAC – subiu 4,8% e na média da zona Euro subiu 2,3%? Estamos, pois e afinal, perante uma mera “cortina de fumo” com que se pretende encobrir a notória incapacidade do Governo para promover o desenvolvimento da agricultura nacional. Em alternativa a esta proposta, o PSD propõe que a PAC evolua no sentido da obter um compromisso entre os seguintes objectivos, com particular ênfase no reforço dos mecanismos de apoio ao desenvolvimento do mundo rural:
Neste quadro defendemos uma PAC mais equitativa entre sectores, devendo Portugal negociar uma posição mais equilibrada a favor das produções mediterrânicas.
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