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Em 1999, a evolução das estruturas da Produção e Recolha Cooperativa de leite prolongou e em certos casos acentuou as tendências que já havia registado nos 4 anos anteriores.O ritmo de diminuição do número de Produtores Acelerou, enquanto aumentou a sua dimensão média...O número de Produtores reduziu-se de 19%, e desceu para 14,1 mil, donde resultou, em conjugação com o crescimento de 5% da Recolha, um aumento de 13 mil litros da entrega média de leite, que subiu para 60 mil litros. Desde 1996, o número de produtores decresceu a uma taxa média anual de 12%, enquanto que a “entrega média” cresceu a um ritmo anual de 17%. Esta evolução corresponde a um sentido necessário de ajustamento, que resulta da dinâmica concorrencial instalada no sector, e da pressão e influência da política agrícola.
A evolução dos volumes recolhidos desde 1996 em cada tipo de estrutura preenche o Gráfico seguinte, e evidencia o aumento contínuo da importância das estruturas individuais de recolha de leite. O facto é positivo, porque representa a racionalização da rede de recolha e a diminuição dos respectivos custos, e dele resulta melhoria da qualidade e da valorização do leite.
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A Rede de Recolha manteve quase inalterada a sua densidade mas robusteceu as suas EstruturasO número de pontos de recolha de leite diminuiu ligeiramente ao longo do quadriénio observado, mas registou alterações significativas na sua fisionomia. Em 1996, existiam 5 853 pontos de recolha de leite, que desceram para 5 368 em 1999 (-485). Mas enquanto que em 1996 os estábulos individuais representavam 68% do total de postos e as estruturas colectivas 32% (SCOM - 13% e PRR - 19%, em 1999, as percentagens equivalentes eram de 77% e 23% (SCOM – 8%, PRR – 15%). A ligeira melhoria registada nas entregas médias das estruturas colectivas não foi portanto bastante para ocultar a sua perca de importância. Tendo presente a pressão e as condicionantes concorrenciais que pautam presentemente o mercado de leite e lacticínios, essa perca de importância ilustra uma tendência consistente. As implicações sociais e económicas desta realidade tendencial não podem ser descuradas pelos Poderes Públicos. Com efeito, o inevitável encerramento de estruturas colectivas de recolha de leite põe em causa o rendimento dos Produtores que com elas operam e que não têm capacidade ou possibilidades de desenvolverem e modernizarem as suas explorações no sentido de se equiparem com meios de ordenha e recolha individual. Aliás, em muitos casos, nem sequer existe capacidade para assegurarem a gestão das estruturas colectivas com que operam. A expressão socio-económica dos diferentes tipos de pontos de recolha de leite é ilustrada pelo Gráfico seguinte.
Em
relatório homólogo apresentado em Abril 1999, a FENALAC alertou para a
sua inevitabilidade, e para a possibilidade de encerramento em 1999 de
200 pontos de recolha colectiva e do abandono da actividade por 2 mil
Produtores. A
evolução registada neste plano (235 pontos encerrados que integravam 3
160 produtores) confirmou plenamente a nossa previsão. Mas os problemas
concretos dela decorrentes não foram alvo de nenhuma terapêutica
concreta. O
ajustamento estrutural em curso, que ficou atrás sumariado, é rumo
imperativo para salvaguardar a viabilidade futura da Produção de Leite
em Portugal. Na realidade, os rumos que são anunciados para a economia
agrícola não deixam alternativas. Por isso, é imperativo da política
sectorial o uso de todos os instrumentos disponíveis para favorecer e
incentivar esse ajustamento, nomeadamente a existência de um regime de resgate
permanente. Mas
esta realidade não pode ocultar os efeitos, nalguns casos muito
preocupantes, que resultam para as localidades e zonas rurais onde esses
efeitos se fazem sentir. Nestes
casos, pelo menos, é imprescindível a atenção governamental para a
situação dos Produtores que abandonam a actividade. Para muitos, a
produção de leite, é a fonte dos rendimentos que lhes asseguram condições
mínimas de consumo e de cumprimento de obrigações fiscais e sociais. A
sua situação configura pois um imperativo de intervenção pública,
que urge e que não pode ser esquecida, e sugere a utilização imediata
de instrumentos de desagravamento fiscal e social para a
salvaguarda das condições de vida dessa população rural.
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